A costa norte do Brasil, onde o rio Amazonas encontra o Atlântico, tornou-se centro de uma nova corrida global por petróleo.
Sob um ecossistema sensível — com recifes de corais recém-descobertos e vastos manguezais —, bilhões de barris podem estar ocultos no subsolo marinho. Após anos de impasse, o Ibama autorizou a perfuração exploratória na Foz do Amazonas, abrindo uma nova fronteira energética para o país.
A decisão reacende o dilema entre a imagem ambiental que o Brasil quer mostrar na COP30, em Belém (2026), e o avanço da exploração fóssil.
Petrobras, Chevron e ExxonMobil planejam atuar na região, enquanto ambientalistas alertam para riscos de vazamentos em águas profundas e dificuldades de resposta em caso de acidente.
A expansão acompanha o movimento sul-americano. A Guiana, com reservas descobertas em 2015, tornou-se o maior produtor de petróleo per capita do mundo, extraindo cerca de 650 mil barris por dia.
O presidente Irfaan Ali promete usar os lucros para reduzir a pobreza, mas analistas temem o “efeito Venezuela”, em que a abundância agravou desigualdades.
Na Argentina, o megacampo de xisto Vaca Muerta, no governo Javier Milei, é visto como motor econômico. O método de fraturamento hidráulico (“fracking”), porém, é criticado pelo alto consumo de água e impactos ambientais.
O Brasil segue líder regional, com recorde de exportações em 2024 — quando o petróleo superou a soja na pauta comercial. Lula defende manter a exploração: “Seria irresponsável abandonar o petróleo”, disse, citando o uso da renda para financiar a transição energética.
Fontes: CNN International, Reuters, Agência Brasil.
