O anúncio do aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gerou forte apreensão no agronegócio, setor estratégico para a balança comercial e para a inflação no país. A sobretaxa de 50%, oficializada pelo presidente Donald Trump nesta quarta-feira (9), pegou de surpresa produtores e autoridades brasileiras.
No Ministério da Agricultura, técnicos ainda calculam os prejuízos potenciais para a economia. De imediato, interlocutores da pasta apontaram o café e a carne como os produtos mais impactados. O mercado de proteína preocupa também os americanos, já que os Estados Unidos enfrentam um déficit histórico de carne bovina e alta nos preços, pressionados por mudanças climáticas e redução dos rebanhos.
Para os exportadores brasileiros, além das perdas diretas, a nova alíquota deve afetar o câmbio, encarecer insumos importados e reduzir a competitividade no exterior.
Representantes do agronegócio no Congresso reagiram prontamente. Em nota, a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) cobrou do governo brasileiro uma resposta “firme e estratégica” e defendeu que a diplomacia seja utilizada para restabelecer o diálogo com Washington.
“A nova alíquota produz reflexos diretos e atinge o agronegócio nacional, com impactos no câmbio, no consequente aumento do custo de insumos importados e na competitividade das exportações brasileiras”, declarou a FPA.
Aliados do setor também ressaltaram que recentes declarações duras do presidente Lula contra Trump, sobretudo durante a cúpula do Brics, teriam acirrado o clima, e que agora é hora de priorizar uma estratégia diplomática para minimizar os danos.
Fontes: Ministério da Agricultura, Frente Parlamentar Agropecuária, Agência Brasil, G1
