sexta-feira, março 6, 2026

Alimentos começam a ficar mais baratos com efeito das tarifas dos EUA

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A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros já provoca reflexos no mercado interno. A reação mais visível está na cadeia alimentar: carnes e frutas, antes majoritariamente exportadas, estão agora sendo redirecionadas ao mercado nacional, o que tem contribuído para a queda de preços no Brasil.

No setor de carnes, os frigoríficos que vendiam para os EUA, como JBS e Minerva, agora destinam mais produtos ao consumo interno. Segundo dados do Cepea/USP, entre 24 de junho e 21 de julho, o preço da carne no atacado caiu 7,8%, e a arroba do boi gordo teve retração de 7,5%. A expectativa é que o impacto chegue ao consumidor em agosto. No entanto, representantes do setor avaliam que o efeito no varejo será discreto, já que parte da produção foi desviada para outros mercados, como China e Oriente Médio.

No setor de frutas, as mudanças já são perceptíveis. No Vale do São Francisco, responsável por 90% das exportações de manga e uva, o preço da manga tommy caiu de R$ 1,50 para R$ 1,36 por quilo. Segundo o Cepea, o recuo chega a 30% em algumas regiões, impulsionado pela maior oferta, pelo inverno e pelas férias escolares, que reduzem o consumo. Caso os embarques de 48 mil toneladas previstas para os EUA sejam interrompidos, os preços podem cair ainda mais, o que preocupa produtores.

O café, por outro lado, seguiu tendência oposta. A taxação gerou alta nas cotações em Nova York e, por consequência, no Brasil. A saca de 60 kg, que chegou a R$ 1.602 em julho, subiu para R$ 1.803 em poucos dias. O produto, que já acumulava alta superior a 80% em 12 meses até fevereiro, voltou a pressionar o bolso do consumidor.

Embora os efeitos da taxação estejam apenas começando, especialistas alertam que a tendência é de que produtos perecíveis — como frutas e carnes — sintam mais intensamente o impacto, podendo gerar alívio temporário para o consumidor, mas prejuízos ao produtor rural.

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