A Anvisa aprovou o registro do cenobamato, comercializado como Xcopri, para o tratamento adjuvante de crises epilépticas focais em adultos com epilepsia que seguem sem controle adequado mesmo após o uso de pelo menos dois medicamentos anticrise. A decisão foi publicada nesta semana e representa a chegada de uma nova opção para casos de difícil controle. A venda no país, porém, ainda depende da definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.
O medicamento chama atenção pelos resultados clínicos. Segundo a Anvisa, nos estudos houve redução de pelo menos 50% das crises em 64% dos pacientes que receberam 400 mg por dia, contra 26% no grupo placebo. Em estudos internacionais, o cenobamato também apresentou taxas de liberdade de crises acima do padrão visto em terapias já disponíveis, incluindo 28,3% de pacientes sem crises em um dos ensaios clínicos.
O alvo principal da nova terapia é a epilepsia farmacorresistente, quadro em que as crises persistem apesar do tratamento convencional. A própria Anvisa destaca que o cenobamato atua por um mecanismo duplo, modulando canais de sódio e ampliando a ação inibitória do GABA, o que ajuda a reduzir a atividade elétrica anormal no cérebro.
Na prática, a aprovação não resolve sozinha a lacuna de tratamento, mas amplia o arsenal para um grupo de pacientes que costuma enfrentar anos de tentativas frustradas. O passo regulatório já foi dado; agora, a atenção do setor fica voltada ao preço, à estratégia comercial da empresa e à velocidade com que o medicamento chegará de fato às farmácias e aos consultórios.
Fontes: Anvisa; Agência Brasil; Eurofarma
