A base governista já trabalha com Gracinha Caiado, Vanderlan Cardoso e Zacharias Calil no tabuleiro do Senado, e o PP ainda indicou que pode lançar um quarto nome no encontro de Jaraguá. O desenho amplia o alcance eleitoral, mas também aumenta o risco de dispersão de votos dentro do próprio grupo.
A vantagem mais evidente está no modelo da disputa. Como Goiás terá duas vagas ao Senado em 2026, aliados de Caiado avaliam que há espaço para múltiplas candidaturas e para a busca do chamado segundo voto. Foi nessa linha que Alexandre Baldy disse ver uma “conjuntura completamente diferente” da de 2022, defendendo que a base pode trabalhar em parceria mesmo com vários postulantes.
Na prática, a estratégia ajuda a ocupar mais faixas do eleitorado. Gracinha tende a concentrar o peso político do caiadismo, enquanto Vanderlan e Zacharias apostam em perfil mais transversal, mirando eleitores de vários campos. O problema é que esse arranjo exige coordenação fina: sem combinação clara, a base pode criar competição interna excessiva, alimentar ciúmes partidários e embaralhar a mensagem ao eleitor.
Há ainda um fator nacional pesando nessa montagem. Com Caiado acelerando seu projeto presidencial e Kassab vindo a Goiás para a filiação ao PSD, o encontro de Jaraguá virou vitrine de força política. Isso empurra a base a mostrar volume, mas também obriga o grupo a provar que quantidade não vai virar disputa por perotagonismo.
O ganho de capilaridade é real, mas o teste decisivo será saber se a base conseguirá transformar candidaturas avulsas em chapa cooperativa, e não em guerra silenciosa por espaço.
