O Brasil registrou em 2024 o menor nível de pobreza e extrema pobreza desde 1995, segundo nota técnica do Ipea baseada em dados do IBGE. Mesmo assim, uma parcela relevante da população segue em situação de vulnerabilidade.
Em três décadas, a renda domiciliar per capita cresceu cerca de 70%, enquanto o coeficiente de Gini — indicador de desigualdade — recuou quase 18%. A taxa de extrema pobreza caiu de patamares próximos a um quarto da população nos anos 1990 para menos de 5% em 2024. Os pesquisadores destacam dois ciclos de melhora: de 2003 a 2014 e, novamente, de 2021 a 2024.
No retrato mais recente, 4,8% dos brasileiros ainda vivem abaixo da linha de extrema pobreza (cerca de US$ 3 por dia) e 26,8% abaixo da linha de pobreza (US$ 8,30 diários). Mais de 60% da redução da extrema pobreza entre 2021 e 2024 é atribuída à melhora distributiva, combinando mercado de trabalho mais aquecido e políticas de transferência de renda como Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil e Bolsa Família.
Para o Ipea, o resultado de 2024 marca um avanço histórico, mas não encerra o problema: a manutenção dos ganhos dependerá do crescimento econômico sustentado e da capacidade de preservar redes de proteção social em um cenário de restrição fiscal. Sem isso, parte da melhora pode ser revertida nos próximos anos.
Fontes: Ipea, IBGE, Correio Braziliense.
