sexta-feira, março 6, 2026

Café pode aliviar em 2026, mas “barato” não volta tão cedo

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Depois do choque de 2025, o consumidor pode ver algum respiro em 2026 — mas sem fantasia: a leitura dominante no mercado é de queda lenta, não de “volta ao normal” no preço do pacote. A conta continua pressionada porque a oferta ainda carrega o efeito de anos ruins e estoques globais apertados.

O cenário climático mais favorável no fim de 2025 e começo de 2026 ajuda a florada, mas não apaga o passado recente: calor e estiagens derrubaram produtividade e atrasaram a recuperação dos cafezais. Soma-se a isso a característica bienal do café (um ano forte costuma puxar o seguinte para baixo), o que limita o tamanho do alívio.

Os números reforçam a cautela. Em 09.mai.2025, o IBGE registrou alta de 80,2% em 12 meses no preço do café, a maior do Plano Real.

Em jul.2025, veio o primeiro recuo em 18 meses no varejo (-1,01%), sinal de acomodação — ainda longe de baratear de verdade.

No campo, o Cepea mostrou o arábica abaixo de R$ 2.200/saca em jun.2025 e quedas também no robusta, o que ajuda a segurar parte do repasse via blends.

Há ainda um efeito colateral do preço alto: cresce o espaço para “atalhos” no mercado. Em 02.jun.2025, a Anvisa determinou recolhimento de produtos “sabor café” por irregularidades — um alerta de que a inflação do cafezinho também abre porta para fraude e confusão na prateleira.

No fim, 2026 pode trazer alívio, mas o piso segue elevado: quem manda é chuva no 1º trimestre, recomposição de estoques e a velocidade com que o campo consegue entregar volume com qualidade.

Fontes: IBGE; Cepea/Esalq-USP; Anvisa.

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