O projeto de anistia para envolvidos nos atos de 8.jan voltou ao centro das pressões de parlamentares bolsonaristas, que veem na medida uma saída para aliviar condenações e a situação jurídica de Jair Bolsonaro. Líderes do Centrão, porém, têm segurado a pauta à espera de pesquisas atualizadas de opinião pública.
Nos bastidores, deputados e senadores avaliam que o custo político de votar a anistia ainda é alto. Levantamentos recentes mostram maioria contrária ao perdão: em outubro, pesquisa apontou 64% contra a anistia aos condenados do 8 de janeiro, enquanto outros institutos registraram índices acima de 50% de rejeição à proposta ao longo de 2025.
A leitura do Centrão é que a agenda da anistia segue concentrada no núcleo bolsonarista e não mobiliza eleitores moderados. Ao mesmo tempo, o endurecimento das decisões do STF e o desgaste da imagem do ex-presidente após a condenação e a prisão em regime fechado aumentam o risco de desgaste para quem assumir a linha de frente da pauta.
Enquanto isso, a oposição tenta manter o tema vivo em redes sociais e atos de rua, usando a anistia como bandeira política e teste de lealdade ao bolsonarismo. No Congresso, porém, a tendência imediata é de cautela: o avanço do projeto dependerá do humor captado nas próximas pesquisas e da capacidade de o Centrão enxergar ganho eleitoral claro ao se associar à causa.
Fontes: Datafolha, PoderData, CNN Brasil.
