Autoridades confirmam o primeiro caso de chikungunya transmitido localmente em Nova York desde 2015. Entenda o que é o vírus, os sintomas, a relação com o clima e como ele se diferencia da dengue e do zika.
PRIMEIRO CASO LOCAL EM NOVA YORK DESDE 2015
O estado de Nova York registrou, em 15.out.2025, o primeiro caso de transmissão local do vírus chikungunya nos Estados Unidos em dez anos. O paciente, morador de Long Island, apresentou sintomas em agosto, após viajar dentro do próprio país — sem sair do território norte-americano.
De acordo com o Departamento de Saúde de Nova York, a infecção foi autóctone, ou seja, contraída localmente, provavelmente por meio de uma picada de mosquito infectado. Nenhum foco viral foi detectado em mosquitos locais, e não há risco de transmissão direta entre pessoas.
“As temperaturas noturnas mais frias tornam o risco de transmissão muito baixo”, declarou o comissário de Saúde estadual, James McDonald, em comunicado oficial.
O QUE É O CHIKUNGUNYA
O chikungunya é uma infecção viral transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, os mesmos vetores da dengue e do zika vírus.
O vírus foi identificado pela primeira vez em 1952, na Tanzânia, e o nome vem da língua Makonde, significando “aquele que se dobra”, em referência às fortes dores articulares que causa.
Os sintomas incluem febre alta, dores nas articulações, fadiga, náusea e erupções cutâneas. A maioria das pessoas se recupera em até duas semanas, mas há casos em que as dores persistem por meses. Casos graves são raros, geralmente em bebês, idosos e pessoas com doenças pré-existentes.
TRATAMENTO E VACINAS DISPONÍVEIS
Ainda não há cura específica para o chikungunya. O tratamento é sintomático, com uso de analgésicos e antitérmicos para aliviar os sintomas.
Duas vacinas já foram aprovadas em Brasil, Canadá, Reino Unido e União Europeia, mas ainda não estão disponíveis em larga escala. Elas são indicadas principalmente para viajantes e profissionais de saúde que atuam em regiões com alta circulação do vírus.
ONDE O VÍRUS CIRCULA COM MAIS FREQUÊNCIA
O chikungunya é endêmico em países da África, Ásia e América Latina, com surtos frequentes em climas tropicais e subtropicais. Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), 317 mil casos e 135 mortes foram registrados em 2025, distribuídos em 16 países e territórios.
Os maiores números de infecção foram observados em Brasil, Bolívia, Argentina e Peru, regiões onde o mosquito transmissor encontra condições climáticas ideais para reprodução.
O RETORNO DO VÍRUS AOS ESTADOS UNIDOS
A última transmissão local de chikungunya nos EUA havia sido confirmada em 2015, no Texas. Desde então, o país vinha registrando apenas casos importados, contraídos por viajantes vindos de outros continentes.
Em 2024, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) contabilizaram 199 infecções relacionadas a viagens, e 152 casos em 2023.
O mosquito Aedes albopictus, espécie adaptada a regiões de clima mais frio, é encontrado em partes do estado de Nova York, mas o inverno em aproximação reduz drasticamente a chance de novas transmissões.
O PAPEL DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
O pesquisador Robert Jones, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, alerta que as mudanças climáticas e a expansão urbana estão ampliando o território de atuação dos mosquitos transmissores.
“O vírus se espalhou rapidamente após 2013, quando chegou à ilha de St. Martin, no Caribe. Em apenas três anos, houve registros em quase 50 países das Américas, com mais de 1 milhão de casos suspeitos”, afirmou o especialista.
O avanço do aquecimento global favorece a reprodução de vetores tropicais em regiões antes consideradas seguras — tendência já observada na Europa e agora também nos Estados Unidos.
CHIKUNGUNYA, DENGUE E ZIKA: SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS
| Doença | Agente causador | Sintomas principais | Transmissão | Risco de complicações |
|---|---|---|---|---|
| Chikungunya | Vírus chikungunya (CHIKV) | Febre alta, fortes dores nas articulações, fadiga | Mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus | Dores crônicas; casos graves raros |
| Dengue | Vírus da dengue (DENV) | Febre, dores no corpo, manchas vermelhas, sangramentos | Mosquito Aedes aegypti | Pode evoluir para forma hemorrágica |
| Zika | Vírus zika (ZIKV) | Febre baixa, coceira, dor nos olhos | Mosquito Aedes aegypti | Risco de microcefalia em gestantes |
💡 As três doenças compartilham o mesmo vetor e são influenciadas pelo aumento das temperaturas globais. A prevenção depende do controle de criadouros e da proteção individual contra picadas.
Fontes: Associated Press, CDC, OMS, ECDC, London School of Hygiene and Tropical Medicine.
