sexta-feira, março 6, 2026

China critica tarifaço de Trump ao Brasil e acusa de coerção

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Pequim reagiu nesta sexta-feira (11) à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que “tarifas não deveriam ser uma ferramenta de coerção, intimidação ou interferência” e acusou Washington de tentar intervir em assuntos internos do Brasil.

“A igualdade de soberania e a não-intervenção em assuntos domésticos são princípios importantes da Carta da ONU e normas básicas das relações internacionais”, declarou Mao. Sem mencionar o Brasil diretamente, o chanceler chinês, Wang Yi, também criticou a política tarifária dos EUA, dizendo que ela “mina a ordem do comércio internacional”.

Foi a primeira manifestação oficial de Pequim desde o anúncio das tarifas por Trump, que abriu nova crise diplomática com Brasília. O anúncio ocorreu dois dias após o fim da cúpula do Brics no Rio, grupo do qual a China faz parte. Na ocasião, Trump ameaçou todos os integrantes do bloco com uma tarifa adicional de 10%, acusando-os de tentar enfraquecer os EUA e substituir o dólar como moeda padrão.

Histórico de disputas comerciais

A China já havia enfrentado uma guerra tarifária com os EUA no início do ano, quando Trump aumentou taxas para vários países. Em resposta, Pequim também elevou tarifas sobre produtos americanos, em uma escalada que chegou a 145% para bens chineses nos EUA e 125% para norte-americanos na China, antes de um acordo reduzir as tarifas.

No caso do Brasil, o tarifaço — previsto para 1º de agosto — foi justificado por Trump como resposta ao que ele chamou de “vergonha internacional” no julgamento de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal. Em carta a Lula, o republicano ainda acusou o Brasil de “ataques insidiosos contra eleições livres” e de violar a liberdade de expressão.

Lula reagiu dizendo que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém” e que responderá com base na Lei da Reciprocidade Econômica. O governo brasileiro também avisou à embaixada dos EUA que devolverá a carta de Trump.

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