De uns tempos para cá, consumidores passaram a reclamar que barras e bombons “perderam gosto”. Nesta segunda-feira (26), o tema voltou a circular nas redes — e não é só nostalgia.
Pela regra sanitária da Anvisa, “chocolate” precisa ter ao menos 25% de sólidos totais de cacau. Quando o produto aparece como “sabor chocolate”, “cobertura sabor chocolate” ou “composto”, em geral não segue o padrão do chocolate tradicional e pode empregar mais gorduras vegetais e menos derivados de cacau — o que muda textura e sabor.
O contexto econômico pesa: o cacau teve disparadas fortes em 2024 e 2025, pressionando custos e levando a indústria a reagir com aumentos de preço, redução de gramatura e reformulações. A Abicab projetou queda na produção de ovos na Páscoa de 2025 ao citar esse choque de custos.
O ponto crítico é transparência. Procons orientam o consumidor a conferir a “denominação de venda” e a lista de ingredientes para não comprar “sabor chocolate” achando que é chocolate. No Congresso, tramita proposta para ampliar a informação do percentual de cacau nos rótulos.
No fim, a “queda de qualidade” muitas vezes é a soma de inflação de insumos, estratégia de indústria e pouca clareza na embalagem. Ler o rótulo virou parte do preço.
Fontes: Anvisa, Procon-SC, Exame.
