Uma pesquisa publicada no European Heart Journal revelou que a infecção por COVID-19 pode acelerar o envelhecimento dos vasos sanguíneos em até cinco anos, aumentando os riscos de derrame e infarto. O efeito é mais acentuado em mulheres, inclusive em casos leves da doença.
O estudo acompanhou 2.390 pessoas em 16 países, incluindo o Brasil, entre 2020 e 2022. Os cientistas avaliaram a rigidez das artérias por meio da velocidade da onda de pulso, técnica que mede o envelhecimento vascular. Todos os infectados, mesmo os não hospitalizados, apresentaram vasos mais rígidos do que quem nunca teve COVID.
Nas mulheres, a rigidez arterial aumentou em média 0,55 m/s após casos leves, 0,60 m/s em hospitalizadas e chegou a 1,09 m/s em quem passou por UTI. Essa elevação equivale a cinco anos de envelhecimento precoce e aumenta em cerca de 3% o risco de doenças cardiovasculares em mulheres de 60 anos.
Os pesquisadores também observaram que pessoas vacinadas tiveram artérias menos rígidas, sugerindo que a imunização ajuda a proteger o sistema cardiovascular. A longo prazo, os efeitos do envelhecimento induzido pelo vírus parecem estabilizar ou até regredir levemente.
Especialistas explicam que a ação direta do coronavírus sobre os vasos, aliada à resposta inflamatória do corpo, pode estar por trás do fenômeno. Mudanças no estilo de vida e tratamentos já disponíveis podem reduzir os riscos associados ao envelhecimento vascular precoce.
Fontes: European Heart Journal, Université Paris Cité, Harvard
