A CPI das Bets foi encerrada nesta quinta-feira (12) com a rejeição do relatório final da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), por 4 votos a 3.
O texto sugeria o indiciamento de 16 pessoas por crimes como apostas ilegais e lavagem de dinheiro, mas a proposta foi derrubada em uma votação marcada por manobras e forte atuação de parlamentares alinhados ao lobby das empresas de apostas.
Votaram contra o relatório os senadores Angelo Coronel (PSD-BA), Eduardo Gomes (PL-TO), Efraim Filho (União-PB) e Dorinha Seabra (União-TO).
A favor ficaram Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE) e a própria relatora. Apesar da derrota, Thronicke anunciou que encaminhará as informações apuradas ao Ministério Público Federal.
A CPI, que começou em novembro de 2024, enfrentou dificuldades desde o início: falta de quórum, denúncias de extorsão e influência da chamada “bancada das bets”, encabeçada por Ciro Nogueira (PP-PI), acabaram esvaziando os trabalhos.
Empresas líderes do setor foram blindadas de quebras de sigilos, e a proposta de proibir jogos como o “tigrinho” também não avançou.
O senador Eduardo Gomes criticou o que chamou de “pirotecnia e demagogia” das CPIs e sugeriu a retirada dos indiciamentos.
Já Angelo Coronel, defensor da legalização dos jogos, disse que não leu o relatório e se posicionou a favor das apostas como fonte de arrecadação, embora tenha feito declarações opostas no início da comissão.
A CPI ainda foi abalada por suspeitas envolvendo um lobista ligado à relatora, acusado de tentar extorquir empresários do setor.
A denúncia envolveu o empresário Fernando Lima, próximo de Ciro Nogueira, que atuou para blindá-lo.
A comissão se encerra oficialmente no dia 14 de junho, sem que o relatório tenha sido aprovado, marcando vitória do lobby pró-apostas e derrota política da relatora.
