sexta-feira, março 6, 2026

Delcy Acena a Washington e tenta “desarmar” a crise após a captura se Maduro

Mais Notícias

A vice-presidente Delcy Rodríguez, agora no comando interino em Caracas, publicou neste domingo (4) uma mensagem com tom incomum para o chavismo: disse querer trabalhar “junto” com os Estados Unidos em uma agenda de cooperação e desenvolvimento “dentro do direito internacional”, defendendo uma relação “equilibrada e respeitosa”, com igualdade soberana e não interferência.

Esse movimento tem leitura direta de ciência política: Delcy tenta ganhar tempo, reduzir o risco de nova ação militar e, principalmente, disputar a narrativa de legitimidade. Ao falar em “paz e diálogo” e citar regras internacionais, ela conversa menos com a Casa Branca e mais com três públicos ao mesmo tempo: as Forças Armadas (para estabilizar o comando interno), os vizinhos da região (para evitar isolamento) e atores globais (para enquadrar o episódio como crise de soberania).

Do lado americano, o sinal é o oposto: Trump já indicou que novas ações podem ocorrer caso o governo interino “não coopere”, e passou a justificar a operação como combinação de segurança/justiça com um componente material explícito — incluindo a ideia de “retomar” ativos e reabrir espaço para empresas de petróleo. Em outras palavras: cooperação, aqui, não é parceria simétrica; é adesão a termos definidos por Washington.

O pano de fundo que torna a disputa tão sensível é o colapso social e migratório: cerca de um em cada cinco venezuelanos deixou o país nos últimos anos, o que amplia o efeito regional da crise e aumenta o incentivo externo para “reorganizar” o tabuleiro rapidamente — ainda que isso custe caro em norma e precedent e.

Fontes: Reuters; Al Jazeera; Ministério das Relações Exteriores da China.

Outras Notícias

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados