Um achado brasileiro detalhou como o câncer de pâncreas “abre caminho” no tecido e usa nervos como rota de avanço — um mecanismo ligado à agressividade da doença.
Publicado na revista Molecular and Cellular Endocrinology, o estudo analisou cerca de 60 mil células de 24 amostras e identificou o papel das células pancreáticas estreladas, que produzem a proteína periostina. Essa proteína ajuda a remodelar a matriz extracelular (a “estrutura” que sustenta o tecido), facilitando a infiltração tumoral.
O trabalho descreve a chamada invasão perineural, quando células do tumor avançam ao longo dos nervos. Além de estar associada a dor e pior prognóstico, essa rota pode acelerar a disseminação para outras regiões.
No Brasil, o Inca estima 10.980 casos novos por ano (triênio 2023–2025). Em 2021, o país registrou 11.971 óbitos por câncer de pâncreas (homens e mulheres).
Os autores apontam a periostina como alvo promissor: bloquear sua ação — ou as células que a produzem — pode, no futuro, reduzir a invasão perineural e abrir espaço para terapias mais personalizadas.
Fontes: Agência FAPESP, INCA, Molecular and Cellular Endocrinology.
