Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) e do Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP), identificaram que a cera de ouvido pode conter sinais químicos relacionados ao desenvolvimento de câncer. O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports.
Segundo os cientistas, o cerúmen carrega metabólitos — substâncias produzidas pelas reações químicas do corpo. Quando há doenças metabólicas, como câncer, diabetes, Parkinson ou Alzheimer, o funcionamento das mitocôndrias — responsáveis pela produção de energia celular — é alterado, resultando na geração de compostos diferentes ou na ausência de outros.
Para os pesquisadores, analisar a composição da cera pode abrir caminho para um método menos invasivo e mais acessível de rastreamento. “Ela pode revelar alterações químicas que indicam a presença de doenças, inclusive tumores em fase inicial”, destacou o professor Nelson Roberto Antoniosi Filho, da UFG, em entrevista à BBC.
Especialistas ressaltam que, apesar dos avanços, o uso da cera de ouvido como ferramenta diagnóstica ainda precisa de mais testes clínicos para validar sua eficácia e segurança. Caso seja confirmada, a técnica pode se tornar uma alternativa complementar aos exames tradicionais de detecção precoce.
Fontes: BBC, Scientific Reports, Estadão
