Um estudo com PET e EEG identificou menor disponibilidade do receptor mGlu5 em adultos autistas. O resultado reforça a hipótese de desequilíbrio entre sinais de excitação e inibição no cérebro.
O mGlu5 é um receptor ligado ao glutamato, principal neurotransmissor excitatório. Quando essa via muda, pode afetar circuitos envolvidos em atenção, sensibilidade sensorial e comunicação — áreas frequentemente citadas em pesquisas sobre autismo.
A equipe comparou 16 adultos autistas e 16 controles neurotípicos (18 a 36 anos) e observou uma redução média de cerca de 15% na disponibilidade do mGlu5 em diversas regiões, com diferenças maiores no córtex. Parte do grupo também fez EEG, e um padrão no “declive” do espectro de potência se correlacionou com os níveis de mGlu5.
Na prática, isso sugere que o EEG — mais acessível do que PET — pode ajudar a acompanhar, de forma não invasiva, sinais ligados à atividade excitatória. Ainda é cedo: o estudo é pequeno, foca adultos e não define se a diferença é causa, consequência ou um dos vários caminhos do neurodesenvolvimento.
Os autores defendem que mapear o receptor mGlu5 pode apoiar pesquisas de biomarcadores e, no futuro, terapias mais direcionadas para quem tiver prejuízos clínicos relevantes.
Fontes: Yale School of Medicine, American Journal of Psychiatry, PubMed.
