A FDA (agência reguladora dos EUA) aprovou o primeiro exame de sangue para auxiliar no diagnóstico da doença de Alzheimer. Desenvolvido pela empresa japonesa Fujirebio Diagnostics, o teste identifica proteínas no plasma sanguíneo associadas à presença de placas amiloides no cérebro — uma das marcas da doença.
Até então, o diagnóstico dependia de exames caros e invasivos, como PET scans ou punções lombares. A nova alternativa promete ser mais acessível, rápida e menos desconfortável para pacientes que apresentam sinais de declínio cognitivo.
O teste mede os níveis de duas proteínas — pTau217 e beta-amiloide 1-42. A relação entre elas indica se há ou não acúmulo de placas no cérebro. Em estudos clínicos, o exame obteve 92% de precisão em casos positivos e 97% em negativos, quando comparado com os métodos tradicionais.
A diretora do Centro de Dispositivos da FDA, Michelle Tarver, destacou que a aprovação representa um passo importante para facilitar o diagnóstico precoce. Atualmente, cerca de 7 milhões de americanos vivem com Alzheimer — número que pode chegar a 13 milhões nas próximas décadas.
Especialistas, no entanto, alertam para o uso responsável. O teste deve ser aplicado apenas em pessoas com sintomas confirmados de comprometimento cognitivo, evitando diagnósticos precipitados. “É mais fácil pedir um exame do que conversar com o paciente”, disse o professor Jason Karlawish, da Universidade da Pensilvânia.
Nos EUA, medicamentos como Leqembi e Kisunla já são autorizados para tratar fases iniciais da doença. O desafio, agora, é garantir que o exame chegue aos consultórios sem gerar sobreprescrição ou falsas esperanças.
No Brasil, onde o diagnóstico precoce ainda é limitado e concentrado em grandes centros, a aprovação de um exame similar poderia revolucionar o tratamento da doença, especialmente com o envelhecimento da população.
Fontes: FDA, CNN, NYT
