O secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou nesta terça-feira (29) que produtos como café, cacau, especiarias e raízes tropicais — que não são produzidos em solo americano — poderão ser isentos das tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump. Segundo ele, a lógica seria aplicar taxas apenas sobre produtos com equivalência competitiva interna. A decisão final, no entanto, caberá ao presidente.
Lutnick evitou citar países específicos, mas indicou que a medida seria válida para parceiros que demonstrarem “reciprocidade comercial” e maior agilidade nas negociações. “Por que vocês querem vender café e cacau para nós e não nos deixam vender soja? Parece injusto. Vamos tornar isso justo”, declarou.
O Brasil, maior produtor mundial de café, pode ser um dos países beneficiados, embora ainda não tenha sido oficialmente citado. No entanto, o país está entre os mais afetados pelas novas tarifas, devido à inclusão de itens agrícolas na lista de produtos taxados. A decisão de Trump foi justificada por motivos políticos, incluindo o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e decisões do STF que, segundo a Casa Branca, prejudicaram empresas americanas.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a medida é uma retaliação injustificada e que “vai encarecer o café e o suco de laranja dos americanos”. Haddad reforçou que o governo brasileiro segue buscando uma saída diplomática e que não trabalha com a hipótese de não reverter a medida.
O secretário também afirmou que as novas tarifas sobre produtos farmacêuticos devem ser anunciadas nas próximas semanas e serão “massivas” para empresas que não possuam fábricas em território americano. Ao comentar os acordos firmados por Trump, disse que o presidente “trabalha com um tempo diferente” e quer resoluções imediatas. O prazo para implementação das tarifas segue marcado para esta sexta-feira, 1º de agosto.
Fontes: Departamento de Comércio dos EUA, Ministério da Fazenda, CNBC
