Apesar da leve melhora nos indicadores, cerca de 970 mil paulistas ainda enfrentam insegurança alimentar grave, segundo a Pnad Contínua 2024.
Quase 1 milhão de pessoas passam fome todos os dias no estado de São Paulo, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa uma leve redução em relação a 2023, mas ainda indica a persistência da fome em uma das regiões mais ricas do país.
O levantamento aponta que a insegurança alimentar grave — quando há falta de alimentos ou a pessoa passa o dia sem comer — caiu de 1,3 milhão de pessoas em 2023 (3% da população paulista) para 970 mil em 2024 (2,4%). O resultado mostra que o avanço é tímido diante da magnitude do problema, ainda concentrado nas periferias e entre famílias de baixa renda.
Em resposta à crise alimentar, programas sociais como o Armazém Solidário, mantido pela Prefeitura de São Paulo, têm se tornado alternativa para famílias cadastradas no CadÚnico. O projeto oferece produtos alimentícios com preços até 50% mais baixos do que em supermercados convencionais. São sete unidades em funcionamento, distribuídas entre as zonas Leste, Norte e Sul da capital.
“Ajuda bastante porque às vezes a grana do mês está curta. A gente economiza e consegue levar frutas, legumes e alimentos mais saudáveis”, relatou Daiane Amorim, moradora da Zona Sul. Segundo a prefeitura, cada pessoa cadastrada pode comprar até R$ 800 em produtos por mês, mediante verificação de cadastro no sistema municipal.
Para a pesquisadora Luciana Yuki Tomita, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), programas como o Armazém Solidário são importantes, mas ainda não alcançam toda a população em vulnerabilidade. “Há pessoas que não conseguem acessar o CadÚnico. O desafio é localizá-las e garantir o direito à alimentação adequada, em quantidade e qualidade”, afirma.
FOME E INSEGURANÇA ALIMENTAR NO BRASIL
O que é insegurança alimentar grave?
É a situação em que a pessoa não tem acesso regular a alimentos e passa períodos de fome por falta de recursos. O conceito é usado pelo IBGE com base na Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia).
Níveis de insegurança alimentar:
- Leve: preocupação ou incerteza sobre acesso a alimentos.
- Moderada: redução na quantidade e qualidade das refeições.
- Grave: ausência total de alimentos em determinados momentos do dia.
Números nacionais (2024):
Segundo o IBGE, 12,7 milhões de brasileiros ainda vivem em insegurança alimentar grave — cerca de 6% da população.
PROGRAMA ARMAZÉM SOLIDÁRIO — COMO FUNCIONA
- Critério de acesso: estar inscrito no CadÚnico da cidade de São Paulo.
- Benefício: alimentos e produtos básicos com preços até 50% mais baixos.
- Limite mensal: até R$ 800 em compras por pessoa cadastrada.
- Localização: 7 unidades em São Paulo — 3 na Zona Leste, 3 na Zona Norte e 1 na Zona Sul.
- Produtos mais procurados: leite integral, frutas, legumes e itens de cesta básica.
IBGE; Prefeitura de São Paulo; Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Pnad Contínua 2024.
