Uma campanha de fim de ano da Havaianas com a atriz Fernanda Torres desencadeou uma onda de críticas e boicote nas redes, com vídeos de pessoas prometendo abandonar a marca e exibindo atos simbólicos (como descartar o produto). A controvérsia surgiu após a fala publicitária sobre “não começar 2026 com o pé direito”, interpretada por grupos da direita como provocação política.
A peça integra o movimento de verão 2025–2026 e retoma o conceito clássico da marca (“Todo mundo usa”), em uma estratégia de humor e alcance amplo. O problema é que, em ambiente hiperpolarizado, nuances viram munição: a leitura política se espalha mais rápido do que a intenção criativa — e empurra marcas para o centro de disputas identitárias.
No curto prazo, o “boicote de rede social” costuma gerar três efeitos: ruído reputacional, pressão sobre varejo e influenciadores (com cobrança por posicionamento) e ciclo de contra-ataque (quem boicota vira alvo de deboche do campo oposto). Nem sempre isso se traduz em queda relevante de vendas, mas aumenta o custo de gestão de crise e pode contaminar a conversa sobre a marca por semanas.
O episódio também reforça uma mudança de padrão: boicotes — antes mais associados a campanhas progressistas — hoje são ferramenta frequente em grupos conservadores, replicando a lógica do “cancelamento” por consumo. Para empresas, o dilema é objetivo: responder e alimentar a briga ou silenciar e deixar a interpretação dominar. No fim, quem paga a conta costuma ser o espaço de convivência: tudo vira “lado”, até chinelo.
Fontes: Meio & Mensagem; Terra; O Tempo.
