Durante depoimentos na CPI das Apostas Esportivas, as influenciadoras Virgínia Fonseca e Melquíades afirmaram não conhecer o termo “ludopatia”, gerando forte repercussão nas redes sociais. A declaração acendeu o alerta de especialistas sobre a responsabilidade de figuras públicas na promoção de jogos de azar.
A ludopatia, ou jogo patológico, é um transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), caracterizado pelo impulso incontrolável de apostar, mesmo diante de perdas financeiras, problemas familiares ou prejuízos profissionais. No Brasil, estima-se que mais de 2,7 milhões de pessoas sofram com o problema — que já é o terceiro vício mais comum, atrás apenas do álcool e do tabaco.
Os sintomas incluem a necessidade de apostar quantias cada vez maiores, irritabilidade ao tentar parar e uso do jogo como fuga de emoções negativas, como culpa ou frustração. O comportamento pode levar ao endividamento extremo, colapso de relações familiares e até tentativas de suicídio.
O tratamento envolve psicoterapia, uso de medicamentos em casos específicos e participação em grupos como os Jogadores Anônimos. A abordagem mais recomendada é a terapia cognitivo-comportamental, que atua na reestruturação dos padrões de pensamento compulsivo.
A falta de preparo de influenciadores que promovem plataformas de apostas evidencia a urgência de regulamentação. Especialistas defendem que essas figuras passem por treinamento e sejam responsabilizadas por seus conteúdos. Com o crescimento do setor e a ausência de leis claras, cresce também o número de vítimas da ludopatia — muitas vezes em silêncio.
