Um exame feito de rotina para rastrear câncer de mama também pode trazer um outro alerta: o risco de doença cardiovascular. Estudo publicado nesta segunda-feira (9) no European Heart Journal indica que a presença de calcificação arterial mamária — depósito de cálcio nas artérias da mama — vista na mamografia pode ajudar a prever infarto, AVC e morte por causa cardíaca.
Os pesquisadores analisaram mamografias de mais de 56 mil mulheres de 40 a 79 anos e usaram inteligência artificial para medir esse acúmulo de cálcio. O resultado mostrou aumento progressivo do risco conforme a gravidade do achado: mulheres com calcificação leve tiveram risco cerca de 30% maior de evento cardiovascular grave; nas moderadas, a alta passou de 70%; e, nas graves, o risco ficou entre duas e três vezes maior.
O ponto central é que a mamografia não passa a substituir exame do coração nem fecha diagnóstico. O estudo sugere que esse sinal, hoje muitas vezes tratado como achado secundário, pode servir como aviso extra para investigação clínica e prevenção, especialmente num cenário em que doenças cardíacas seguem como a principal causa de morte entre mulheres.
Ainda assim, os autores destacam que faltam diretrizes padronizadas para transformar esse dado em conduta automática. O provável próximo passo é discutir se esse tipo de achado deve entrar de forma mais clara nos laudos e no acompanhamento médico.
European Heart Journal, European Society of Cardiology, Reuters
