O ex-governador Marconi Perillo entrou na pré-campanha de 2026 com um ativo ainda relevante, o recall de quem dominou a política goiana por duas décadas, mas também com um problema difícil de ignorar: a rejeição.
A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta semana mostra o tucano em segundo lugar na disputa pelo governo, com 24% no principal cenário estimulado, mas também no topo da rejeição, empatado com Adriana Accorsi em 40%.
Esse é o nó da campanha marconista.
Marconi continua competitivo e preserva uma base fiel, especialmente entre eleitores mais velhos, mas encontra dificuldade para romper o teto imposto pelo desgaste acumulado de um ciclo longo de poder e pela mudança no ambiente político e digital em Goiás.
A pesquisa mostra esse contraste com nitidez: entre eleitores acima de 60 anos, ele vai melhor; entre os mais jovens, Daniel aparece mais forte.
Nos bastidores, a tarefa do PSDB passa por duas frentes ao mesmo tempo. A primeira é reduzir a resistência de um eleitorado que associa o ex-governador a um passado político já conhecido demais. A segunda é recuperar presença num terreno em que perdeu velocidade: as redes sociais, hoje dominadas por linguagem mais agressiva, polarização mais clara e campanhas com comunicação mais direta, emocional e permanente.
Essa mudança ajuda a explicar por que nomes tradicionais seguem pontuando bem, mas nem sempre conseguem ampliar alcance fora do público já convertido.
A leitura sobre o cenário atual e a liderança de Daniel aparece de forma convergente em diferentes coberturas da pesquisa.
O desafio de Marconi, portanto, não é apenas crescer.
É crescer sem carregar junto a própria rejeição. Numa eleição em que Daniel larga com máquina, apoio de Caiado e vantagem nas pesquisas, o tucano precisa deixar de falar só com a memória do eleitor e voltar a disputar atenção no idioma político do presente.
Entre 2010 e 2014, seu adversário mais tradicional, Iris Rezende (MDB), vivia o mesmo dilema: pontuava bem nas pesquisas, porém, o conflito geracional de imagem e discurso com eleitores mais jovens impunha derrotas no plano estadual.
É um obstáculo de camadas muito complexas, que não depende somente de estratégias de marketing e recall emocional — com exigência de mudanças profundas de imagem, mas com risco severo de perda de identidade: não é nada fácil.
