A escolha de Mojtaba Khamenei para o posto de líder supremo indica que o Irã decidiu fechar a porta, ao menos por agora, para qualquer sinal de acomodação com Estados Unidos e Israel. Filho de Ali Khamenei, ele foi anunciado como sucessor pela Assembleia de Peritos em meio à guerra e sob apoio relevante da Guarda Revolucionária, a força militar mais poderosa do país.
Mojtaba tem 56 anos, é clérigo de escalão intermediário e há anos era apontado como nome forte nos bastidores do regime, apesar de ter perfil público discreto. A escolha chama atenção porque reforça a concentração de poder no mesmo núcleo político-religioso que comandava o país sob seu pai, algo sensível num sistema que nasceu prometendo romper com dinastias.
A reação externa veio rápida. Donald Trump classificou a nomeação como inaceitável e disse que o novo líder “não vai durar muito”, enquanto Israel passou a tratá-lo como alvo potencial num cenário de escalada militar. O recado é claro: a troca no topo do regime não reduziu a tensão; pode ter feito o oposto.
Para analistas ouvidos pela Reuters e por outros veículos internacionais, a chegada de Mojtaba fortalece os setores mais duros do regime, reduz a chance de distensão rápida no conflito e mantém viva a política de confronto com Washington e Tel Aviv. No mercado, esse movimento já pesou no preço do petróleo e ampliou o temor de novos choques globais.
Na prática, o Irã trocou o nome, mas preservou a engrenagem de poder que sustenta o regime desde 1979.
Fontes: Reuters, AP, Euronews
