O Brasil começou a aplicar o donanemabe (Kisunla), novo medicamento indicado para fases iniciais do Alzheimer. Produzido pela farmacêutica Eli Lilly, o remédio foi aprovado pela Anvisa em abril e já tem preço autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
A aplicação é feita por infusão intravenosa, disponível apenas na rede privada, e segue protocolo específico. Nos três primeiros meses, cada paciente recebe duas ampolas mensais, com custo estimado entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por unidade — o que pode ultrapassar R$ 10 mil por mês.
O tratamento é restrito a pacientes em estágio inicial da doença, com comprometimento cognitivo leve ou demência inicial, além de diagnóstico confirmado de presença da proteína beta-amiloide. Há restrições para quem possui duas cópias do gene APOE4, quadro moderado de demência, uso de certos anticoagulantes ou histórico de micro-hemorragias cerebrais.
Apesar do avanço, especialistas alertam que o acesso será limitado: o medicamento exige exames caros e infraestrutura hospitalar, disponíveis em poucos centros no país, como São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Além disso, há riscos relevantes: até 25% dos pacientes podem desenvolver edemas cerebrais, e cerca de 33% apresentam micro-hemorragias, o que exige monitoramento frequente por ressonância magnética.
Segundo a Eli Lilly, os estudos clínicos indicaram que o donanemabe pode retardar o declínio cognitivo em até 35% em pacientes nas fases iniciais da doença. A farmacêutica destaca que o medicamento deve ser administrado exclusivamente em estabelecimentos de saúde com acompanhamento médico.
Enquanto isso, o SUS segue oferecendo apenas tratamentos tradicionais, como donepezila, rivastigmina, galantamina e memantina, que aliviam sintomas e retardam a progressão da doença, mas não atuam diretamente na remoção das placas amiloides do cérebro.
Fontes: G1, Folha de S.Paulo, Valor Econômico
