A menopausa, vivida atualmente por cerca de 30 milhões de brasileiras, ainda é cercada de tabus, mas começa a ocupar mais espaço em debates públicos, nas redes sociais e até em novelas. Mais de 80% das mulheres enfrentam os fogachos — ondas de calor repentinas — mas os sintomas vão muito além, chegando a ultrapassar 70 manifestações diferentes já mapeadas pela ciência.
A atriz Fernanda Lima compartilhou sua experiência ao relatar noites em claro, suor excessivo e queda da libido. “Teve uma noite que acordei fritando, igual tampinha de marmita”, contou, lembrando que a sequência de sintomas afetou seu sono e até a relação conjugal.
Especialistas reforçam que a menopausa não se resume à perda da função ovariana. A ginecologista Patricia Valentim explica que a queda hormonal é irregular, como uma “montanha-russa”. Já a cientista Lisa Mosconi, referência mundial, afirma que muitos sintomas têm origem no cérebro: ansiedade, lapsos de memória e depressão. Estudos apontam que, após a menopausa, o nível de energia cerebral pode cair até 30%.
No Brasil, a advogada Adriana Ferreira criou o Instituto Menopausa Feliz para lutar por políticas públicas. Apesar do número expressivo de mulheres nessa fase, o SUS registrou apenas 297 mil atendimentos no primeiro semestre de 2025, um contraste que aponta para a invisibilidade do tema na saúde pública.
Outro aspecto é a desigualdade: segundo a ginecologista Claudia Araujo, mulheres negras sofrem sintomas mais intensos e tendem à menopausa precoce devido a fatores socioeconômicos e estresse diário.
Apesar dos desafios, especialistas lembram que essa fase pode marcar um novo ciclo. O cérebro se adapta, os sintomas tendem a estabilizar e muitas mulheres encontram força para redefinir sua autoestima e identidade. “Não deixamos de ser atraentes. É uma nova fase de sabedoria e experiência”, resume a jornalista Tamsen Fadal, que lidera um movimento global sobre o tema.
Fontes: Fantástico, O Globo, Revista Saúde
