sexta-feira, março 6, 2026

Pesquisa da ABP revela panorama alarmante da saúde mental no Brasil: 1 em cada 4 adultos relatou pensamentos suicidas.

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No mês de setembro, dedicado à prevenção do suicídio, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) divulgou os resultados da pesquisa inédita “Como você está? Uma pesquisa nacional sobre saúde mental e sentimentos na vida adulta”, realizada em 2025. O levantamento, de abrangência nacional, lança luz sobre a situação preocupante da saúde mental dos brasileiros e reforça a urgência de políticas públicas eficazes e maior conscientização social.

Dados que preocupam

O estudo mostrou que 25,7% dos participantes relataram ter tido pensamentos suicidas nos últimos seis meses. Além disso, 25,2% afirmaram não se sentir bem atualmente, e 30,9% se declararam tristes ou decepcionados, mas com esperança de melhora.

Mais da metade dos entrevistados relatou já ter pensado em se isolar completamente ou desaparecer, o que demonstra o peso do sofrimento emocional vivido por milhões de pessoas no país.

Um avanço na busca por ajuda

Apesar do cenário crítico, a pesquisa também apontou sinais de progresso. 50,9% dos entrevistados já procuraram atendimento com psiquiatras ou psicólogos pelo menos uma vez, o que sugere maior conscientização sobre a importância de procurar auxílio profissional. Para a ABP, esse dado indica que o estigma em torno das doenças mentais tem diminuído ao longo da última década.

Ainda assim, uma parcela significativa (cerca de 10%) declarou nunca ter buscado apoio ou não acreditar na necessidade de tratamento, evidenciando que o tabu ainda existe.

Barreiras de acesso

Outro ponto levantado é a desigualdade no acesso ao atendimento especializado. Entre os entrevistados, 31,6% disseram que poderiam procurar o SUS, 33,8% recorreriam ao plano de saúde e 50,9% buscariam o setor privado. Embora essa multiplicidade de opções mostre algum conhecimento dos caminhos disponíveis, também expõe a realidade de longas filas e dificuldades no sistema público, além da limitação financeira que impede muitos de recorrerem ao atendimento particular.

Legislação e conscientização

Em 8 de setembro de 2025, foi sancionada a Lei nº 15.199, que estabelece duas datas importantes no calendário nacional:

10 de setembro – Dia Nacional de Prevenção do Suicídio;

17 de setembro – Dia Nacional de Prevenção da Automutilação.

Para a ABP, essas datas são simbólicas, mas precisam ser acompanhadas de ações práticas, como campanhas educativas, ampliação da rede de apoio psicológico e inclusão da saúde mental como prioridade permanente nas políticas públicas.

Apoio e orientação

O estudo reforça que a prevenção exige esforço coletivo. Amigos, familiares, escolas, empresas e gestores públicos precisam estar atentos aos sinais de sofrimento. Entre os sintomas de alerta estão mudanças bruscas de comportamento, isolamento, falas sobre desesperança e recusa em realizar atividades cotidianas.

Canais de ajuda no Brasil:

CVV – Centro de Valorização da Vida: atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia, pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br.
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SUS: atendimento em Unidades Básicas de Saúde e CAPS (Centros de Atenção Psicossocial).

Emergências: em risco iminente, acione o SAMU (192) ou o Corpo de Bombeiros (193).

Saúde mental como prioridade

Para especialistas, a pesquisa da ABP deixa claro que a saúde mental precisa ser tratada com a mesma seriedade que qualquer outra condição clínica. Assim como doenças cardíacas ou renais exigem exames e tratamento contínuo, transtornos mentais devem ter acompanhamento profissional, medicamentos quando necessários e políticas públicas consistentes.

“Prevenir o suicídio e cuidar da saúde mental não pode ser uma pauta de um único mês. É um compromisso diário da sociedade, das famílias e do Estado”, reforça a ABP em nota oficial.

Com dados tão contundentes, o desafio é transformar informação em ação, garantindo que o sofrimento silencioso de milhões de brasileiros seja ouvido, acolhido e tratado com dignidade.

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