O Planalto entrou março com um sinal de alerta mais nítido. A nova rodada do Datafolha mostrou Lula ainda na frente no primeiro turno, mas já em empate técnico com Flávio Bolsonaro no segundo: 46% a 43%, dentro da margem de erro de dois pontos. O dado reforça a perda de conforto eleitoral do presidente num momento em que o governo tenta conter desgaste político e econômico.
O problema para Lula não está só no número bruto, mas no tipo de erosão. A pesquisa indica avanço da rejeição e dificuldade maior de reconquistar o eleitor moderado, justamente a faixa que costuma decidir eleição apertada. No mesmo levantamento, Lula aparece com 46% de rejeição, e Flávio, com 45%, o que mostra um ambiente polarizado, mas já menos favorável ao presidente do que no início do ano.
Esse ambiente se soma a duas crises que ganharam peso em Brasília. De um lado, o escândalo no INSS, que alimentou desgaste político e abriu nova frente de cobrança sobre o governo. De outro, o caso Banco Master, que ampliou a sensação de contaminação institucional após a prisão de Daniel Vorcaro e o avanço das apurações sobre suposta influência indevida no Banco Central. Embora os fatos atinjam personagens de campos distintos, o impacto político imediato recai com mais força sobre quem está no poder.
Na oposição, Flávio Bolsonaro tenta consolidar uma imagem mais controlada do que a do bolsonarismo mais explosivo, sem romper com a base dura do grupo. Esse é hoje um dos pontos centrais da disputa: parecer viável para o centro sem perder o eleitorado mais radicalizado que continua sendo o motor do campo bolsonarista. Reportagens recentes mostram que esse equilíbrio já virou tema de preocupação dentro do próprio entorno conservador, sobretudo pelas interferências públicas de Eduardo e Carlos Bolsonaro em disputas internas.
Para Lula, a saída mais provável continua sendo usar a máquina, defender entregas de governo e explorar o contraste com pautas mais duras da direita. Mas o cenário ficou mais estreito.
Fontes: Reuters, Datafolha, CNN Brasil
