Em 2025, o Brasil registrou 84.760 casos de pessoas desaparecidas — média de 232 por dia. Cerca de 30% são crianças e adolescentes, segundo dados compilados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
São Paulo liderou em volume (mais de 20 mil registros), seguido por Minas Gerais (9.139), Rio Grande do Sul (7.611), Paraná (6.455) e Rio de Janeiro (6.331). O recorte mostra onde a pressão por resposta estatal é maior, mas não explica sozinho por que a taxa varia: registro, investigação e políticas locais pesam.
O dado bruto também exige leitura crítica. “Desaparecimento” não é sinônimo de crime: há casos de fuga, conflitos familiares, vulnerabilidade social e pessoas que são localizadas depois. Ainda assim, a falta de padronização e de integração nacional dificulta saber, em tempo real, quem foi encontrado, por quem e em quanto tempo.
O governo reativou o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas para unificar informações e acelerar cooperação, mas a adesão ainda é parcial: 12 estados alimentavam a base no lançamento, segundo o Ministério. Sem integração ampla, serviços como saúde e assistência social continuam operando com baixa interoperabilidade.
No centro do debate, está a necessidade de uma política pública contínua: registro imediato, investigação qualificada e rastreio nacional, com transparência e prestação de contas.
Fontes: Ministério da Justiça e Segurança Pública, CNN Brasil, Agência Brasil.
