O sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em 2020, hoje utilizado por mais de 150 milhões de brasileiros, entrou no centro de uma disputa comercial com os Estados Unidos. O governo de Donald Trump abriu investigação contra o Pix sob alegação de que a plataforma cria concorrência desleal para empresas americanas de cartões e meios de pagamento.
Desde sua criação, o Pix revolucionou a economia brasileira. De novembro de 2020 a junho de 2025, ele já poupou R$ 106,7 bilhões em tarifas que antes eram pagas em TEDs, DOCs e taxas de cartões. Só no primeiro semestre de 2025, a economia foi de R$ 18,9 bilhões, segundo levantamento do Movimento Brasil Competitivo. Esse impacto positivo atinge tanto consumidores quanto pequenos comerciantes, que passaram a operar com custos quase nulos em transações financeiras.
Mas em Washington, a visão é outra. Para empresas como Visa e Mastercard, o Pix teria “tomado espaço de mercado” ao oferecer transferências gratuitas e instantâneas. A Casa Branca avalia impor sanções comerciais ao Brasil, incluindo tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras para os EUA. Medidas desse porte poderiam afetar setores estratégicos, como o agronegócio e a indústria, além de agravar tensões políticas bilaterais.
Especialistas afirmam, no entanto, que os argumentos americanos são frágeis. Dados do Banco Central mostram que o uso de cartões de crédito e débito segue crescendo, e que o Pix substituiu principalmente o dinheiro em espécie e os cheques. Na prática, a plataforma ampliou o mercado de consumo, beneficiando inclusive empresas estrangeiras que atuam no e-commerce e no varejo brasileiro.
A expectativa agora é de que o embate seja resolvido pela via diplomática. O Brasil já sinalizou que defenderá o Pix como política pública soberana, comparando-o ao FedNow, sistema semelhante lançado pelo Federal Reserve em 2023. Uma escalada tarifária, por outro lado, poderia gerar perdas bilionárias, pressionar o câmbio e alimentar a inflação.
