Donald Trump voltou a defender que os EUA “precisam” da Groenlândia por razões de segurança nacional, reacendendo o impasse com a Dinamarca e o governo local do território. A fala ocorre num momento em que aliados já estão mais sensíveis a sinais de expansão de poder, após a operação americana na Venezuela.
Copenhague respondeu de forma direta: a primeira-ministra Mette Frederiksen afirmou que os EUA “não têm direito” de anexar qualquer parte do Reino da Dinamarca e lembrou que Dinamarca e Groenlândia estão sob o guarda-chuva de segurança da OTAN, além de já existir um acordo de defesa que garante acesso militar americano à ilha.
Em Nuuk, o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen foi ainda mais explícito ao pedir que a pressão pare, classificando a ideia de anexação como “fantasia” e exigindo respeito às vias diplomáticas e ao direito internacional. O atrito aumentou depois de uma publicação de Katie Miller com um mapa da Groenlândia nas cores da bandeira dos EUA e a palavra “SOON”.
A Groenlândia tem cerca de 57 mil habitantes, ampla autonomia desde 1979, e direito formal de declarar independência (acordo de 2009). A maioria apoia a independência no longo prazo, mas pesquisas indicam forte rejeição a virar parte dos EUA. O resultado prático é um teste de limites: Trump sinaliza poder; Dinamarca e Groenlândia elevam o custo político e jurídico de qualquer passo além da retórica.
Fontes: Reuters; NPR; The Guardian.
