PT e PSDB não devem caminhar juntos formalmente na disputa pelo governo de Goiás em 2026, mas o ambiente político aponta para um arranjo mais pragmático: reduzir o confronto entre si e concentrar fogo na base montada em torno do governador Ronaldo Caiado, hoje no PSD, e na candidatura bolsonarista de Wilder Morais, do PL.
O movimento aparece num momento em que o bloco governista projeta eleger Daniel Vilela, do MDB, como nome da continuidade, enquanto a oposição ainda busca evitar dispersão.
Ainda não há sinal robusto de aliança formal, ou uma manifestação pública, entre os dois partidos, e a própria Adriana Accorsi já rejeitou publicamente uma composição com Marconi Perillo. Ainda assim, o noticiário político em Brasília e em Goiás mostra que existe diálogo para um pacto de “não agressão”, com o objetivo de não transformar PSDB e PT em inimigos prioritários um do outro num cenário em que ambos enxergam a força do caiadismo como principal obstáculo eleitoral.
Na prática, isso significa uma campanha em que Marconi Perillo e o campo petista podem preservar suas diferenças, mas sem gastar munição excessiva entre si nos debates e palanques. O alvo mais provável tende a ser a narrativa de continuidade de Daniel Vilela, que aparece à frente nas pesquisas recentes, e também o discurso de Wilder Morais, hoje posicionado como representante mais nítido do bolsonarismo raiz no Estado.
Esse tipo de acomodação não elimina o peso da ideologia, mas tenta reordenar prioridades.
O PT segue com linha nacional própria e o PSDB mantém projeto estadual separado, porém ambos sabem que uma guerra paralela entre oposição liberal e oposição de esquerda só facilita a vida de quem já está no poder ou de quem tenta capturar sozinho o voto conservador.
Em Goiás, o recado que começa a aparecer nos bastidores é menos romântico e mais frio: cada um no seu palanque, mas sem trabalhar para destruir o outro antes da largada decisiva.
