sexta-feira, março 6, 2026

Remédio antigo para pressão pode frear crescimento de tumor cerebral agressivo

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Um dos medicamentos para pressão arterial mais antigos em uso no mundo, a hidralazina — já consagrada no tratamento da pré-eclâmpsia — pode também ajudar a conter o avanço de glioblastomas, um dos tumores cerebrais mais agressivos conhecidos.

A indicação vem de um estudo liderado por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, publicado na revista Science Advances.

Os cientistas desvendaram o mecanismo de ação da hidralazina em nível molecular. O remédio bloqueia uma enzima sensora de oxigênio chamada ADO (2-aminoethanethiol dioxygenase), que funciona como um “interruptor” para controlar o aperto dos vasos sanguíneos.

Ao inibir a ADO, a droga estabiliza proteínas reguladoras de sinalização (RGS), reduz cálcio dentro das células musculares dos vasos, promove vasodilatação e queda da pressão arterial — explicando seu uso há décadas em crises hipertensivas e na pré-eclâmpsia.

A mesma via bioquímica parece ser explorada por tumores de glioblastoma para sobreviver em áreas com pouco oxigênio.

Em experimentos com células humanas, a equipe observou que a hidralazina, ao bloquear a ADO, interrompe esse “circuito de adaptação” e empurra as células tumorais para um estado de senescência: elas não morrem de imediato, mas entram em modo de pausa, deixam de se dividir e têm o crescimento fortemente reduzido, sem o tipo de inflamação e resistência associado a alguns quimioterápicos.

Os autores ressaltam que os resultados ainda são pré-clínicos e não significam que pacientes com câncer cerebral devam usar hidralazina por conta própria.

O próximo passo é desenvolver inibidores de ADO mais específicos, capazes de atingir melhor o tecido tumoral no cérebro sem afetar o restante do organismo, e testar essas estratégias em modelos animais e ensaios clínicos.

A descoberta, porém, reforça o potencial de “reaproveitar” medicamentos antigos — já conhecidos da medicina cardiovascular — para abrir novas frentes no combate a tumores agressivos. turn11search18

Fontes: Science Advances, Penn Medicine, MedicalXpress.

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