A rotina dos policiais do Rio de Janeiro é marcada por enfrentamentos diários com facções fortemente armadas, ruas estreitas, barricadas e áreas de difícil acesso. Esse cenário, típico das comunidades cariocas, impõe um nível de estresse ocupacional comparável ao de zonas de guerra.
Levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) aponta que, em 2024, 12 policiais morreram em serviço e outros 43 foram mortos durante a folga. Pesquisas sobre saúde mental nas forças de segurança revelam que 16,9% dos policiais militares fluminenses apresentam transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) completo, enquanto 26,7% sofrem sintomas parciais da doença.
Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica ainda uma redução de cerca de 7% no efetivo da PM entre 2013 e 2023. No Rio, há déficit estrutural e sobrecarga de trabalho, o que agrava o desgaste psicológico e físico dos agentes. Relatos de profissionais ativos e aposentados apontam falta de apoio psicológico e pressão constante para atuar em áreas dominadas por facções.
Apesar de não existirem dados consolidados sobre abandono de carreira, especialistas afirmam que a soma de estresse, risco extremo e baixos salários tem levado um número crescente de policiais a pedir exoneração ou afastamento médico.
Organizações civis e pesquisadores defendem a criação de programas permanentes de suporte psicológico, protocolos de redução de estresse e valorização profissional para reduzir os impactos da violência sobre quem a enfrenta diariamente.
Fontes: Agência Brasil, Instituto de Segurança Pública (RJ), Fórum Brasileiro de Segurança Pública, IJERPH.
