Nesta segunda-feira (2), o Senado Federal retoma os trabalhos com uma combinação rara de pressão institucional e pauta econômica: o caso Banco Master, a indicação ao Supremo Tribunal Federal e os próximos passos do acordo Mercosul–União Europeia.
No front do banco, a CPMI do INSS marcou para quinta-feira (5) o depoimento de Daniel Vorcaro, em meio a apurações sobre consignados e possíveis irregularidades envolvendo benefícios do INSS. Em paralelo, a CPI do Crime Organizado sinaliza requerimentos e quebras de sigilo para incluir o caso Master no escopo, citando potencial conflito de interesse porque Dias Toffoli é relator de processos ligados ao tema no Supremo, além de contratos de honorários atribuídos ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
A Comissão de Assuntos Econômicos também montou um grupo de trabalho para fechar um cronograma de oitivas, com intenção de ouvir Vorcaro, o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente Roberto Campos Neto. No plano político, existe ainda movimentação para criar uma CPI/CPMI específica, mas a instalação depende de decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cujo mandato vai até fevereiro de 2027.
Outro ponto sensível é a indicação de Jorge Messias para o STF, que passa por sabatina e, depois, plenário — um teste de força entre o Palácio do Planalto e o Senado neste início de ano legislativo.
Na economia, o acordo Mercosul-UE, assinado em 17.jan.2026 em Assunção, começa a entrar no radar do Congresso, com promessa do governo de encaminhamento e pressão por tramitação acelerada na Câmara dos Deputados, presidida por Hugo Motta.
Leitura política: o Senado abre 2026 com uma pauta que mistura “controle de danos” institucional (Master/STF/BC), disputa por poder na Corte e um ativo econômico (Mercosul-UE) que pode virar vitrine — ou arena — dependendo do ritmo e do custo político de cada votação.
Fontes: Senado Federal; Agência Brasil; MDIC (Governo Federal).
