sexta-feira, março 6, 2026

Trabalhadores por aplicativo já somam 1,7 milhão no Brasil

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Número de trabalhadores por aplicativo cresce 25% entre 2022 e 2024, segundo IBGE. Pesquisa revela perfil, informalidade e debate no STF.


Crescimento acelerado nas plataformas digitais

O número de trabalhadores por aplicativo aumentou 25,4% entre 2022 e 2024, passando de 1,3 milhão para quase 1,7 milhão de pessoas. O dado é da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua – módulo trabalho por plataformas digitais, divulgada pelo IBGE em 17.out.2025.

Nesse mesmo período, a participação desses profissionais na população ocupada brasileira subiu de 1,5% para 1,9%. Isso significa que, dos 88,5 milhões de ocupados em 2024, 1,7 milhão tinham como principal fonte de renda o trabalho mediado por aplicativos.

Segundo o analista do IBGE Gustavo Fontes, o crescimento pode estar relacionado à busca por autonomia e flexibilidade. “A possibilidade de escolher quando e onde trabalhar também pode ser um fator importante”, afirmou.


Tipos de aplicativos mais utilizados

O levantamento identificou quatro categorias principais de atuação nas plataformas digitais. Os aplicativos de transporte particular de passageiros lideram com 53,1% dos trabalhadores. Em seguida aparecem os de entrega de comida e produtos (29,3%), prestação de serviços gerais e profissionais (17,8%) e táxis (13,8%).

A categoria de serviços profissionais inclui designers, tradutores e médicos que utilizam plataformas digitais para captar clientes ou realizar atendimentos à distância. Entre todos os trabalhadores por aplicativo, 72,1% se enquadram na ocupação de operadores de instalação e máquinas — grupo que abrange motoristas e motociclistas.


Informalidade e vínculos de trabalho

A informalidade é um dos aspectos mais marcantes entre os trabalhadores por aplicativo. Enquanto 44,3% da população ocupada do país atua de forma informal, entre os “plataformizados” esse número chega a 71,1%.

O IBGE considera informais os empregados sem carteira assinada e os autônomos sem registro de CNPJ. O estudo mostra ainda que 86,1% desses profissionais trabalham por conta própria, 6,1% são empregadores e apenas 3,2% têm vínculo formal.

Essa proporção de autônomos é três vezes maior do que na população ocupada em geral (28,1%). Dos trabalhadores por conta própria, 5,7% utilizam aplicativos como principal meio de intermediação de trabalho.


Perfil do trabalhador plataformizado

O retrato traçado pelo IBGE mostra um grupo predominantemente masculino e urbano. Homens representam 83,9% dos trabalhadores por aplicativo, enquanto as mulheres somam 16,1%.

A faixa etária mais comum é entre 25 e 39 anos (47,3%), seguida de 40 a 59 anos (36,2%). Em termos de escolaridade, 59,3% têm ensino médio completo ou superior incompleto, 16,6% ensino superior completo, 14,8% fundamental completo e 9,3% não concluíram o fundamental.

A região Sudeste concentra mais da metade dos trabalhadores (53,7%), sendo a única onde a participação supera a média nacional. As demais regiões aparecem em ordem decrescente: Nordeste (17,7%), Sul (12,1%), Centro-Oeste (9%) e Norte (7,5%).


Debate jurídico no STF sobre vínculo empregatício

Além de traçar o perfil socioeconômico, o estudo reacende o debate jurídico sobre a relação entre plataformas e motoristas. O Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar no início de novembro se há ou não vínculo empregatício entre os trabalhadores e as empresas de aplicativos.

Enquanto os representantes dos trabalhadores alegam precarização e ausência de direitos trabalhistas, as empresas sustentam que os profissionais atuam de forma autônoma — posição compartilhada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A decisão poderá impactar o modelo de negócios de plataformas de transporte e entrega, com reflexos diretos sobre encargos, tributação e relações contratuais.


Pesquisa experimental e próximos passos

O módulo da Pnad Contínua foi desenvolvido em convênio com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Ministério Público do Trabalho (MPT). A coleta de dados ocorreu no terceiro trimestre de 2024 e incluiu apenas quem utiliza aplicativos como principal forma de trabalho, excluindo atividades eventuais.

A pesquisa ainda é classificada como experimental pelo IBGE e não abrange plataformas de hospedagem, aluguel ou comércio eletrônico. A previsão é de que a próxima edição, em 2025, amplie o escopo para incluir o comércio digital e novas modalidades de trabalho remoto.

Segundo o pesquisador Gustavo Fontes, a tendência é de que o número de trabalhadores por aplicativo continue crescendo, acompanhando a expansão tecnológica e a busca por renda independente em meio à informalidade estrutural do mercado brasileiro.


Fontes

  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – Pnad Contínua: Trabalho por plataformas digitais, 17.out.2025.
  • Ministério Público do Trabalho (MPT).
  • Supremo Tribunal Federal (STF).
  • Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

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