A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou que medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, podem restringir o acesso de brasileiros a medicamentos essenciais. Em carta enviada à Casa Branca em 18 de agosto, a entidade alertou que a pressão americana sobre patentes ameaça sobretudo a população mais pobre.
Entre os medicamentos que podem ser impactados estão o lenacapavir genérico, usado na prevenção prolongada do HIV, a bedaquilina genérica, fundamental no tratamento da tuberculose resistente, além de remédios para diabetes. Segundo a MSF, a ofensiva de Washington “ecoa os interesses de grandes farmacêuticas” e ultrapassa os compromissos previstos em tratados internacionais.
O alerta ocorre em meio a uma investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) contra o Brasil, sob alegação de que o país estaria restringindo ou discriminando o comércio americano no setor de saúde. A pressão de Trump é para que o Brasil reduza o espaço dos genéricos no mercado, beneficiando multinacionais do setor farmacêutico.
Especialistas temem que, caso o Brasil seja obrigado a ceder, medicamentos fiquem mais caros e menos acessíveis, comprometendo políticas públicas de saúde. Para o MSF, “a vida das pessoas não deveria nunca ser usada como moeda de troca em negociações comerciais”.
A disputa ocorre também em meio à crescente polarização política. Nas redes sociais, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm usado o embate para mobilizar apoiadores, em uma “batalha de hashtags” contra Trump.
Fontes: UOL, Médicos Sem Fronteiras, g1
