Uma nova vacina experimental apresentou resultados positivos no combate a tumores de pâncreas e colorretal, segundo estudo publicado na revista Nature Medicine. O imunizante, chamado ELI-002 2P, foi capaz de estimular respostas imunológicas duradouras, com potencial de prevenir a recorrência do câncer em pacientes de alto risco.
A pesquisa foi conduzida pelo Jonsson Comprehensive Cancer Center da UCLA (Universidade da Califórnia) e avaliou pacientes com mutações no gene KRAS — presente em cerca de 90% dos cânceres de pâncreas e 50% dos colorretais. Após quase 20 meses de acompanhamento, os pacientes tiveram sobrevida sem recidiva média de 16,3 meses e sobrevida global de 28,9 meses, superando as taxas históricas.
Segundo o professor Zev Wainberg, autor principal do estudo, os pacientes que desenvolveram respostas imunes mais fortes “permaneceram livres da doença e viveram por muito mais tempo do que o esperado”.
O diferencial do imunizante é ser uma vacina “pronta para uso”, diferente de terapias personalizadas que exigem produção individual. O ELI-002 2P atua diretamente nos linfonodos, treinando o sistema imunológico a reconhecer células cancerígenas com mutações no KRAS.
Nos testes clínicos iniciais, 84% dos pacientes desenvolveram células T específicas contra o gene-alvo, enquanto 24% eliminaram totalmente biomarcadores do tumor. Além disso, dois terços dos voluntários apresentaram resposta contra mutações adicionais, o que amplia o potencial antitumoral.
Agora, os pesquisadores darão continuidade ao estudo em uma fase 2, com um grupo maior de pacientes. Se os resultados se confirmarem, a vacina poderá abrir caminho para uma estratégia inovadora e menos complexa no tratamento de tumores agressivos.
