Uma operação da PF abriu uma frente sensível em Brasília: o STF diz que houve “múltiplos acessos ilícitos” a sistemas da Receita para obter dados sigilosos de autoridades, com vazamento posterior das informações.
A ação ocorreu ontem (terça-feira, 17), por ordem do Supremo, após representação da Procuradoria-Geral da República (PGR). A PF cumpriu 4 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, e a Corte impôs cautelares como afastamento de funções, retenção de passaporte e uso de tornozeleira eletrônica.
Em nota, o STF afirmou que a apuração identificou um “bloco de acessos” sem justificativa funcional. O caso inclui dados de ministros do Supremo e também do PGR Paulo Gonet, segundo a Corte.
Já a Receita Federal, em declaração repercutida por veículos de imprensa, fez uma ressalva importante: disse que o pedido de auditoria abrangeu ministros, o PGR e familiares, mas isso não significa automaticamente que todos tiveram dados acessados — e afirmou não ter detectado, até então, acesso a dados fiscais sigilosos de Gonet e seus familiares.
O pano de fundo é o chamado “caso Master”, investigação que envolve suspeitas de fr4ud3s bilionárias e disputa política em torno do uso e circulação de informações sensíveis. A apuração agora mira quem acessou, com que finalidade e como esses dados chegaram a terceiros.
Próximo passo: análise de celulares e computadores apreendidos, oitiva dos investigados e consolidação de laudos para definir autoria, cadeia de vazamento e eventuais crimes.
Fontes: STF; Polícia Federal; Agência Brasil.
