Banco Central revisa projeção de crescimento do PIB para 1,8% em 2026

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O Banco Central revisou a projeção do PIB para 2026, passando de 2% para 1,8%, e apresentou novas estimativas setoriais. Confira os detalhes.

O Banco Central (BC) divulgou, nesta quinta-feira (24), o Relatório de Política Monetária (RPM), que apresenta novas projeções para a inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) até 2028. A autoridade monetária reduziu a previsão de crescimento do PIB para 1,8% em 2026, uma queda em relação à estimativa anterior de 2%. Para 2027, a expectativa de crescimento é ainda menor, de 1,4%.

De acordo com o BC, os setores mais dependentes do consumo das famílias, como a indústria e os serviços, devem enfrentar dificuldades em 2026. Essas áreas já mostraram um desempenho modesto no último trimestre, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, o setor agropecuário teve uma “surpresa positiva” em suas projeções.

“Embora o resultado agregado do PIB tenha superado ligeiramente o esperado, as surpresas positivas concentraram-se em segmentos menos sensíveis ao ciclo econômico, notadamente a agropecuária e a indústria extrativa. Os setores mais cíclicos da oferta e o consumo das famílias, por sua vez, surpreenderam em sentido oposto”, argumenta o BC.

Revisão por setor

As novas projeções setoriais estão detalhadas da seguinte forma:

  • Projeção de crescimento da agropecuária foi ajustada de 1,7% para 2,8%;
  • Projeção para a indústria foi reduzida de 2,3% para 1,5%;
  • Em serviços, a projeção de crescimento caiu de 1,9% para 1,7%.

O consumo das famílias também foi revisado de 2,1% para 1,2%. Para a agropecuária, o BC justifica o aumento na estimativa pelo crescimento anual da produção de grãos, conforme projetado pelo IBGE.

Outras previsões para o PIB

Conforme o relatório Focus, a expectativa de crescimento do PIB do Brasil em 2026 é de 1,88%, ligeiramente inferior à projeção anterior de 1,89%. Em 2025, o PIB brasileiro registrou um crescimento de 2,3%, segundo dados do IBGE.

O governo federal inicialmente esperava uma elevação de 2,3%, mas revisou sua previsão para 2%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) também atualizou suas estimativas, elevando a projeção de crescimento do PIB brasileiro para 2,4%, ante 1,9% anteriormente previsto em abril deste ano.

Impactos na meta fiscal

Caso a projeção do BC se confirme, o governo federal precisará ajustar suas despesas, uma vez que a redução no crescimento tende a impactar a arrecadação de impostos. A meta fiscal estipulada é de superávit de 0,25% do PIB, que equivale a R$ 34,2 bilhões, com uma margem de tolerância de 0,25% para mais ou para menos. Assim, o resultado será considerado cumprido se houver equilíbrio fiscal ou um superávit de até aproximadamente R$ 68,4 bilhões.

No relatório, a autoridade monetária menciona que deve haver “uma melhora gradual” no resultado primário estrutural ao longo do tempo, embora ressalte que as projeções do Comitê de Política Monetária (Copom) precisam de maior rigor na relação entre arrecadação e despesas.

“(As projeções dependem de) considerações sobre a evolução das políticas fiscal e parafiscal e de seu arranjo institucional, das reformas e ajustes necessários na economia”, afirma o BC.

Impacto do El Niño na inflação de alimentos

O Banco Central também considera os efeitos do fenômeno climático El Niño em sua análise econômica, especialmente no que diz respeito à inflação de alimentos. Segundo o relatório, a expectativa é que a inflação de alimentos aumente nos próximos meses devido aos impactos do El Niño.

“Itens com dinâmicas mais específicas, como arroz e carnes, devem contribuir para variações mais elevadas no período. No caso do El Niño, os efeitos adversos são mais disseminados sobre milho, algodão e arroz. Para a soja, as estimativas variam entre estados e tendem a se compensar parcialmente no agregado nacional”, detalha o texto.

Com isso, a inflação prevista para 2026 é de 5,2%, enquanto para 2027 a expectativa é de recuo para 3,9%. O índice deve se alinhar ao centro da meta de inflação (3%) apenas em 2028, quando é projetado que alcance 3,1%. Atualmente, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumula 4,22% nos últimos 12 meses encerrados em agosto.

A meta de inflação para 2026 é de 3%, com uma variação permitida de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

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