No dia 9 de fevereiro, o senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República pelo PL, se reuniu com o deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), que disputa o governo do Rio de Janeiro, para um ato de campanha na Ilha Itanhangá, localizada na Barra da Tijuca.
Durante o evento, ambos declararam estar unidos na luta contra o crime organizado.
“Aos narcoterroristas de Comando Vermelho, PCC e milícias que estão aqui no Rio, estão em São Paulo, estão em todo o Brasil”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Contexto e Polêmicas
A presença de Flávio Bolsonaro no evento ocorreu em meio a um histórico que levanta questionamentos sobre sua posição em relação à segurança pública. Em 2003, quando era deputado estadual, ele propôs uma moção de louvor ao miliciano Adriano da Nóbrega, que em 2005 recebeu a Medalha Tiradentes por iniciativa do próprio Flávio. O senador também empregou, em seu gabinete, a mãe e a esposa de Adriano, além de ser acusado de destinar uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil para um projeto esportivo a pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, condenado por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco.
Douglas Ruas, filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), também é alvo de controvérsias. Em 2008, foi mencionado no relatório final da CPI das Milícias da Alerj, que o citou como um dos líderes da milícia na região, embora ele negue essas acusações.
Compromissos de Campanha
No ato, Flávio Bolsonaro se manifestou sobre rumores envolvendo a privatização da Petrobras, classificando-os como “boatos”. Ele também expressou gratidão pelo apoio recebido do candidato derrotado à presidência, Augusto Cury (Avante), e mencionou que está em diálogo com outras legendas.
O candidato reafirmou seu compromisso em manter os programas sociais e se defendeu de acusações de que acabaria com o Bolsa Família. “Isso é mentira”, declarou, enfatizando que tem sido alvo de notícias falsas.
Entretanto, Flávio Bolsonaro enfrenta críticas devido a cortes propostos no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2023, que sugeriram uma redução de 59% nos recursos do programa Farmácia Popular, diminuindo o orçamento de R$ 2,04 bilhões para cerca de R$ 804 milhões. Sua coordenadora econômica, Daniella Marques, já mencionou a necessidade de reduzir ministérios e realizar cortes em gastos públicos.
Ainda em outubro, uma reportagem da Folha de S.Paulo revelou que a equipe econômica de Flávio estava analisando medidas que poderiam economizar até R$ 250 bilhões, incluindo alterações na correção de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de mudanças nos pisos de saúde e educação. Contudo, a campanha nega que essas propostas reflitam oficialmente as posições do candidato.
Em suma, o evento marcou uma tentativa de Flávio Bolsonaro de se distanciar de polêmicas passadas e reafirmar sua determinação em combater o crime organizado e manter programas sociais, enquanto enfrenta uma série de desafios e questionamentos em sua candidatura.




