A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito (FEDD) manifestou sua preocupação com uma possível vitória de Flávio Bolsonaro, afirmando que isso representaria um retrocesso social no Brasil.
O grupo, que declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), critica a forma como Flávio, candidato do Partido Liberal (PL), tem utilizado a religião com fins políticos.
Em contrariedade à tendência observada entre as igrejas e o eleitorado evangélico, que tem mostrado preferência por Flávio Bolsonaro, a FEDD se posicionou em favor da manutenção do governo atual. “Flávio Bolsonaro manipula a religião a favor de sua candidatura de forma escancarada, por isso decidimos tomar uma posição e apoiar a manutenção do atual governo, liderado por Lula”, declarou o pastor Ariovaldo Ramos, coordenador do grupo, em entrevista.
“A possível vitória de Flávio é um retrocesso civilizatório”, complementou.
A declaração da FEDD foi motivada por uma fala de Flávio, que sugere utilizar a influência da direita no Congresso para promover mudanças na Constituição Federal, com o intuito de “redemocratizar” o Brasil, que já é uma república democrática desde o fim da ditadura militar em 1985. O candidato fez essa declaração em Goiânia, durante um ato em que recebeu o apoio do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e do governador reeleito, Daniel Vilela (MDB), sem especificar quais alterações constitucionais seriam propostas.
A repercussão foi imediata e, posteriormente, Flávio detalhou algumas de suas propostas, incluindo mudanças na maioridade penal e o fim da reeleição. A fala gerou receio entre os apoiadores de Lula, especialmente na FEDD, que tem se posicionado à esquerda desde sua criação em 2016, no contexto do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Pautas da Frente de Evangélicos
O movimento busca distanciar-se dos valores defendidos pela Frente Parlamentar Evangélica (FPE) no Congresso e se alinha com pautas progressistas, que incluem a defesa da democracia, justiça social, proteção das minorias e a separação entre religião e política. A FEDD também atua para conscientizar evangélicos, parte dos mais de 33 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno das eleições.
Estratégias de Lula para o segundo turno
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva também está atenta ao eleitorado evangélico. O PT tenta conquistar aqueles que votaram em Augusto Cury (Avante) no primeiro turno, embora Cury tenha declarado apoio a Flávio Bolsonaro após o pleito. A equipe petista acredita que muitos desses eleitores, que não optaram por Lula nem por Flávio, podem se inclinar para o candidato do PT na reta final das eleições.
Durante a campanha, Lula fez acenos ao público evangélico, destacando a influência das igrejas entre as populações mais vulneráveis, que buscam apoio em tempos de dificuldades financeiras. Em um recente encontro, o presidente relatou como a mensagem de esperança veiculada por essas igrejas pode impactar a vida dos fiéis. “O cara fala: ‘Porra, finalmente encontrei alguém que me dá um ânimo aqui. Eu posso ser alguma coisa’”, comentou Lula, ressaltando a importância do apoio espiritual na busca por melhorias de vida.
A competição entre os candidatos se intensifica com o segundo turno se aproximando, marcado para o próximo dia 25 de outubro, onde Flávio Bolsonaro já havia recebido 47,03% dos votos no primeiro turno, enquanto Lula obteve 45,16%, com uma diferença de 2.224.965 votos entre ambos.


