Gestão eficaz transforma ONGs e potencializa ações sociais

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A importância da gestão profissional em ONGs para garantir a sustentabilidade e eficiência das ações sociais no Brasil.

Para que ações de inclusão e transformação social sejam efetivas, não basta apenas ter boas intenções. Por trás dos projetos realizados por organizações do terceiro setor, é necessária uma estrutura que funcione de maneira organizada e eficiente. A continuidade e a sustentabilidade das ações são fundamentais para garantir resultados a longo prazo.

Elementos como planejamento, gestão de pessoas, controle financeiro, transparência, definição de metas e acompanhamento de resultados são essenciais para que causas sociais se tornem atitudes concretas. Nesse contexto, o profissional de administração ocupa uma posição estratégica nas organizações sem fins lucrativos.

Valdinei Valério, diretor-geral do Instituto Promover (IPHAC), enfatiza que muitas entidades surgem do desejo de impactar a realidade. No entanto, para se destacarem, precisam unir a paixão pela causa ao conhecimento técnico. “O papel da administração é fundamental, visto que as organizações sociais geralmente nascem de uma ideia de um fundador. No Brasil, existem mais de 900 mil organizações sociais registradas”, explica Valério, que se dedica à inclusão de jovens no mercado de trabalho.

“A gestão é o elo entre o propósito e a capacidade de produzir resultados. A paixão pela causa, muitas vezes, não vem acompanhada da habilidade de gestão. Fazer o bem exige gestão: o papel do administrador é essencial para dar racionalidade às relações e funcionalidade aos processos”, afirma.

A avaliação de Valério é compartilhada por Gilmar Camargo, vice-presidente do Conselho Federal de Administração (CFA) e presidente da Organização Latino-Americana de Administração. Camargo acredita que o administrador deve atuar em várias frentes dentro das ONGs, garantindo que os recursos disponíveis sejam convertidos em resultados. “O administrador contribui com planejamento, organização, gestão financeira, gestão de pessoas, definição de processos, análise de indicadores e tomada de decisão. Em uma ONG, essas competências devem estar conectadas à missão social da instituição”, explica.

Profissionalização e sustentabilidade

A necessidade de profissionalização na gestão das ONGs é ressaltada por Juliana Batista, superintendente executiva da Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace). Para ela, a administração é uma ferramenta indispensável para garantir a continuidade das atividades das instituições.

“Ao profissionalizar o processo de gestão, a instituição sobrevive. As que não se profissionalizam, realmente, não têm vida longa”, avalia Juliana.

Na Abrace, essa responsabilidade se reflete no número de atendimentos realizados. Atualmente, a instituição assiste 911 famílias, conta com 88 funcionários e cerca de 300 voluntários. “Temos núcleos, estruturação, plano de cargos e salários, e trabalhamos com indicadores, metas, planejamento estratégico e gestão de pessoas. A administração é fundamental para o funcionamento da Abrace. Somente a boa intenção não sustenta uma instituição no terceiro setor”, detalha.

Gilmar Camargo acrescenta que a profissionalização das ONGs assume ainda mais relevância quando elas administram recursos públicos ou mantêm parcerias. “Uma ONG que recebe dinheiro público ou doações precisa demonstrar transparência, responsabilidade e eficiência”, afirma.

Camargo alerta que a falta de protocolos pode resultar em problemas sérios, como desperdício de recursos, dificuldades na prestação de contas e conflitos internos. “Sem processos estruturados, a ONG pode enfrentar desafios significativos”, explica.

Relação entre gestão e cuidado

Joelma Oliveira Bonfim, presidente do Instituto Futuro e Ação (IFA), que oferece educação para crianças de 0 a 3 anos, considera que a gestão e o cuidado com as pessoas são essenciais para o sucesso das ONGs. Formada em administração, Joelma percebe o impacto direto das decisões administrativas na vida dos beneficiários.

“Gestão eficiente também é uma forma de cuidar de pessoas. Cada recurso precisa ser utilizado com responsabilidade e planejamento, pois por trás de cada decisão administrativa existem crianças, famílias e comunidades que dependem desse trabalho”, pondera Joelma.

Além de organizar o funcionamento interno, o administrador deve lidar com diferentes fontes de recursos e demandas legais, desempenhando um papel crucial na prestação de contas e na prospecção de parcerias. A capacidade de administrar esses processos está diretamente ligada à sustentabilidade dos projetos.

“O profissional de administração traz planejamento, organização, visão estratégica e controle, fundamentais no terceiro setor, onde lidamos com recursos públicos e parcerias”, explica Joelma.

Ela acrescenta que uma gestão estruturada cria condições para que as organizações ampliem seus projetos e atendam um maior número de pessoas. “Uma boa administração permite que a organização cresça e estabeleça parcerias que beneficiem ainda mais pessoas”, finaliza.

O impacto das organizações do terceiro setor vai além dos atendimentos diretos. Ao movimentar recursos e gerar empregos, essas instituições também influenciam a economia local. Valério destaca que a estrutura do IPHAC gera oportunidades de trabalho no Distrito Federal, abrangendo diversas áreas, como assistentes sociais e administradores.

Dados do Ipea revelam que as organizações da sociedade civil empregam mais de 2 milhões de pessoas e movimentam cerca de R$ 32 bilhões anualmente, representando 1,4% do PIB. Camargo ressalta que o impacto social e a relevância econômica não são conceitos opostos; uma organização pode não ter fins lucrativos e ainda assim contribuir significativamente para a economia.

Da burocracia à transformação social

A administração, portanto, não é apenas um suporte, mas ocupa um papel estratégico nas organizações sociais. Planejar, controlar recursos e organizar equipes são atividades que, quando alinhadas à missão da instituição, contribuem para a execução eficaz dos projetos.

“A administração se transforma em uma ferramenta estratégica para gerar impacto social. Buscamos que cada decisão administrativa tenha um propósito social claro”, conclui Joelma.

Ela destaca a importância de relacionar teoria e prática, garantindo que a gestão não perca de vista a finalidade social. “No Instituto Futuro e Ação, é essencial conciliar gestão, legislação, recursos, pessoas e, sobretudo, o compromisso com as crianças e as famílias atendidas”, finaliza.

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