Inflação de combustíveis em 2026 é quase o dobro da do ano anterior

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A inflação de combustíveis no Brasil, acumulada entre janeiro e setembro de 2026, atingiu 4,49%, quase o dobro da registrada em 2025, que foi de 2,30%.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou que o aumento nos preços ocorreu apesar dos subsídios fornecidos pelo governo federal para mitigar o impacto inflacionário.

O cenário atual é influenciado pela alta nos preços do petróleo, exacerbada pelos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, o que levou o governo a implementar uma série de medidas de apoio aos combustíveis. Até agora, foram destinados R$ 40 bilhões para estas ações.

Medidas do governo para conter os preços

  • Em 12 de março, foi realizada uma subvenção direta de R$ 0,32 por litro de diesel para produtores e importadores.
  • Na mesma data, foi anunciada a isenção das alíquotas de PIS/Cofins sobre a importação e comercialização de óleo diesel, resultando em uma redução de R$ 0,32 por litro.
  • Em 8 de abril, os Decretos nº 12.923/2026 e 12.924/2026 estabeleceram alíquota zero de PIS/Cofins para o biodiesel, com uma economia estimada de R$ 0,15 por litro.
  • Em julho, uma subvenção de R$ 0,44 por litro foi concedida para a gasolina, por meio de Medida Provisória.
  • Em 9 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Medida Provisória 1.391/2026, autorizando uma nova subvenção de R$ 1 por litro de óleo diesel rodoviário.
  • De 10 de setembro a 9 de outubro de 2026, estarão em vigor isenções totais de PIS/Pasep e Cofins sobre o etanol hidratado, resultando em uma economia de R$ 0,19 por litro.
  • Durante o mesmo período, foi definida uma redução temporária de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina.
  • O Ministério da Fazenda prorrogou em 26 de setembro a subvenção que proporciona um abatimento de R$ 1,12 no preço do diesel, totalizando R$ 2,12 de ajuda por litro.
  • No dia 9 de outubro, o governo zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre a gasolina, aumentando a redução de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, além de prorrogar a desoneração dos tributos sobre o combustível em R$ 0,19 por litro.
  • Foi ampliada também a subvenção econômica para produtores de etanol hidratado, que passou de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro, e foi anunciado um adicional de R$ 1,40 por litro aos importadores de óleo diesel.

Apesar das medidas de apoio, os preços dos combustíveis aumentaram até 20,85% desde o início dos conflitos, como é o caso do óleo diesel S10. Apenas o etanol apresentou uma queda de 10,58%, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que realiza coletas semanais de preços.

A inflação mensal medida pelo IBGE pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) reflete a dinâmica dos preços diante dos subsídios. Embora em março tenha sido registrada a maior alta, os preços mostraram tendência de queda entre maio e agosto devido aos descontos aplicados.

Desafios futuros com a inflação de combustíveis

Os altos preços dos combustíveis representarão um desafio para o próximo governo em 2027, independentemente de quem assumir a presidência, seja Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, ou o senador Flávio Bolsonaro. A Agência Internacional de Energia (IEA) alertou que a escassez de diesel deve persistir até boa parte do próximo ano, o que pode manter a pressão sobre a inflação.

“Apesar da menor demanda, prevê-se que o equilíbrio do mercado de petróleo permaneça deficitário até o final do ano, com a restrição na oferta de destilados médios provavelmente persistindo até bem avançado o ano de 2027”, destacou a IEA.

Embora a inflação dos combustíveis se mantenha em torno de 4,5%, este índice é o segundo mais baixo do atual mandato. Em 2023, a inflação foi de 8,37%, enquanto em 2024 atingiu 10,09%. No ano passado, o aumento foi de apenas 2,3%.

Fatores que influenciam os preços

A principal causa do aumento dos preços dos combustíveis em 2026 se deve aos conflitos no Oriente Médio, que começaram em 28 de fevereiro. Antes do início da guerra, o barril de petróleo tipo Brent estava cotado em aproximadamente US$ 70, subindo para até US$ 120. Na última sexta-feira, o barril era negociado a US$ 105,90, refletindo uma estabilidade nos preços.

As tensões geopolíticas na região têm afetado as rotas de navegação no Estreito de Ormuz, crucial para o comércio global de petróleo, enquanto a produção de óleo diesel da Rússia também caiu devido a danos em suas refinarias.

Com um panorama complexo, a inflação de combustíveis e a volatilidade dos preços continuarão a ser temas relevantes no cenário econômico brasileiro nos próximos anos.

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