Instituições financeiras não veem viabilidade para leilão do Desenrola 3.0 antes das eleições

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Bancos estão em fase inicial de negociação com o governo e não veem viabilidade para antecipar o leilão do Desenrola 3.0 antes das eleições.

O mercado financeiro manifesta ceticismo em relação à possibilidade de antecipar o leilão do programa Desenrola 3.0 antes das eleições, conforme apurado por fontes próximas ao setor. De acordo com os interlocutores, as instituições financeiras ainda estão nos estágios iniciais de diálogo com o Ministério da Fazenda para estabelecer os critérios de compra das carteiras de dívidas.

Com o segundo turno das eleições marcado para o dia 25 de outubro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera a antecipação do cronograma da medida. Contudo, essa alternativa não é vista como viável por fontes do setor financeiro, que apontam a relutância dos bancos em se comprometer com questões eleitorais.

Um dos interlocutores destacou que as instituições estão preocupadas com a repercussão política que o anúncio de uma antecipação poderia gerar. Mesmo que o governo decida seguir adiante com a antecipação, isso não implicaria que os consumidores teriam a oportunidade de renegociar suas dívidas antes do dia da votação, uma vez que a operação depende da definição das regras de seleção e compra das carteiras de crédito, além das condições oferecidas aos devedores, que ainda estão em discussão.

Possíveis implicações da antecipação

Se o governo optar por antecipar o Desenrola, especialistas acreditam que isso se restringiria a uma fase inicial de cadastramento das instituições financeiras, uma vez que ainda é necessário definir a magnitude das dívidas a serem adquiridas e os critérios que serão utilizados nesse processo.

Pontos de vista da Febraban

No final de setembro, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) expressou apoio ao Desenrola 3.0, afirmando que espera que o programa auxilie na diminuição do endividamento das famílias e melhore o ambiente de crédito. Contudo, a entidade também alertou que a aceleração do calendário pode não ser possível devido a questões técnicas.

Cronograma do Desenrola 3.0

  • Setembro de 2026: publicação da Medida Provisória;
  • Novembro de 2026: publicação do chamamento para entrega de propostas;
  • Dezembro de 2026: entrega de propostas pelos credores;
  • Janeiro de 2027: homologação das propostas selecionadas;
  • Fevereiro de 2027: assinatura de contratos.

Entenda o Desenrola 3.0

Recentemente, o governo lançou a nova versão do programa Desenrola, que prevê a compra de até R$ 150 bilhões em dívidas de famílias brasileiras pela União, com um custo estimado de R$ 15 bilhões para os cofres públicos, considerando um desconto de 90% sobre o valor das dívidas adquiridas.

O foco da medida está em dívidas de até R$ 10 mil, incluindo cartões de crédito e crédito pessoal sem consignação em folha, cujos débitos estão atrasados entre dois e quatro anos e meio. Segundo a Medida Provisória (MP) que regulamenta a ação, a União comprará as carteiras de crédito com deságio e, em seguida, reestruturará as dívidas para amenizar o comprometimento das famílias e conter o endividamento.

As operações serão realizadas pelo Tesouro Nacional ou por uma instituição financeira pública, como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal. Após o leilão, os devedores poderão quitar suas dívidas à vista ou parceladamente, com descontos que podem chegar a 90%, embora haja a previsão de juros em caso de parcelamento. Os detalhes sobre prazos e condições ainda precisam ser definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

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