Lula e Flávio buscam conquistar eleitores ausentes do primeiro turno

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Lula e Flávio enfrentam o desafio de mobilizar eleitores que não votaram no primeiro turno, com abstenção de 21,08% do eleitorado

.A mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições se tornou um desafio crucial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. Na votação de 4 de outubro, 33,4 milhões de eleitores, representando 21,08% do total apto a votar, se abstiveram, o que torna a ampliação da participação um ponto central na reta final da campanha.

 

Contudo, convencer esse público a comparecer é uma tarefa complicada. De acordo com uma pesquisa do Real Time Big Data divulgada em 8 de outubro, 40% dos entrevistados que não votaram no primeiro turno afirmam que certamente não irão às urnas em 25 de outubro. Outros 38% indicam que provavelmente também não votarão, enquanto apenas 22% consideram a possibilidade de comparecer, somando aqueles que afirmam que talvez, provavelmente ou certamente irão votar.

Estados com maior taxa de abstenção

  • Mato Grosso do Sul: 23,87%
  • Rio de Janeiro: 23,32%
  • Minas Gerais: 22,81%
  • São Paulo: 22,54%
  • Mato Grosso: 22,20%
  • Goiás: 21,83%
  • Rondônia: 21,71%
  • Espírito Santo: 21,37%
  • Rio Grande do Sul: 21,35%

A estratégia de Lula para aumentar a mobilização

Para Lula, a redução da abstenção é uma prioridade para reverter a vantagem do adversário. A campanha petista está focada em expandir a comunicação, intensificar a presença nas ruas e mobilizar lideranças políticas e apoiadores com o objetivo de atrair eleitores além de sua base tradicional. O Nordeste, onde Lula obteve uma vantagem significativa no primeiro turno, continua sendo uma região estratégica. Contudo, a taxa de abstenção nessa área já é menor em comparação com outras partes do país, o que exige um esforço tanto para mobilizar os faltosos quanto para garantir os votos já conquistados e buscar novos eleitores em outros colégios eleitorais.

Outra dificuldade enfrentada pela campanha é persuadir eleitores que não compareceram devido a desinteresse ou insatisfação com as opções disponíveis. Nesse contexto, a comunicação sobre propostas e o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado são essenciais para a estratégia do PT. Na sexta-feira, 9 de outubro, o senador Camilo Santana (PT-CE), que integra a coordenação da campanha, anunciou que Lula dará prioridade a agendas no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais — os três maiores colégios eleitorais do Brasil, que apresentaram taxas de abstenção superiores à média nacional.

Desafios para Flávio Bolsonaro

Por sua vez, Flávio Bolsonaro enfrenta o desafio de manter a vantagem obtida no primeiro turno e ampliar sua votação até o dia 25 de outubro. A campanha do senador precisa não apenas garantir a mobilização de sua base, mas também buscar novos votos entre os eleitores que não participaram da primeira votação. Flávio tem se concentrado em temas como custo de vida, endividamento das famílias e segurança pública, e conta com o apoio de aliados políticos, lideranças regionais e presença nas redes sociais como parte de sua estratégia de mobilização. No entanto, até o momento, não há confirmação pública de uma operação específica voltada exclusivamente aos eleitores ausentes.

A abstenção não é um bloco homogêneo de eleitores. Entre os que faltaram, há aqueles que enfrentaram dificuldades para votar, eleitores desmotivados e cidadãos que não se identificam com nenhuma das candidaturas. Assim, o aumento do comparecimento não assegura, por si só, vantagem a Lula ou a Flávio.

Mobilização será crucial no segundo turno

A pesquisa do Real Time Big Data destaca que uma parte significativa dos eleitores que se abstiveram no primeiro turno não demonstra disposição para participar da votação decisiva. Juntos, os que afirmam que certamente ou provavelmente não irão às urnas representam 78% dos entrevistados que não votaram na primeira etapa.

Para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, tanto Lula quanto Flávio precisarão equilibrar duas frentes: manter os eleitores já mobilizados e convencer uma parte dos ausentes a comparecer à decisão final. O sucesso dessa estratégia dependerá tanto da capacidade de cada campanha de alcançar esse público quanto das preferências políticas dos eleitores que realmente forem às urnas.

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