Em uma entrevista à CNN Brasil, Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou nesta segunda-feira (19) que entregou ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), os sigilos fiscal, bancário e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.
Marco Aurélio relatou que Lula solicitou que seu filho se apresentasse à Justiça. “Ele [Lula] chamou o filho dele, que veio ao Brasil e disse para ele: ‘olha, eu estou pedindo para o seu advogado levar ao conhecimento da Polícia Federal e do ministro André Mendonça, que é relator de um dos inquéritos, a sua disposição voluntária e espontânea de abrir o seu sigilo fiscal, bancário e telemático, eu quero que você se apresente'”, contou o advogado.
Na sequência, ele se deslocou a Brasília, onde teve uma agenda pública e foi “muito bem recebido” por Mendonça. Durante a visita, expressou ao ministro: “Ministro, eu estou aqui em nome do presidente para abrir as contas do Fábio, para colocar o Fábio à disposição da Justiça, para prestar qualquer esclarecimento que porventura se faça necessário”.
O advogado também mencionou ter feito a mesma declaração ao diretor-geral da Polícia Federal, enfatizando sua preocupação com vazamentos. “Eu disse que o Fábio está à disposição e que ele vem a hora que tiver que vir”, acrescentou.
Apesar dessa movimentação, a Polícia Federal informou que não tinha elementos suficientes para ouvir Fábio. “Esse assunto não tem essa dimensão”, destacou Marco Aurélio.
Investigação em Andamento
A PF investiga Fábio Luís Lula da Silva em três inquéritos, que apuram supostos casos de tráfico de influência e corrupção em benefício de empresas junto ao governo federal. O advogado argumenta que Lulinha “não deveria estar nesse inquérito” e criticou a falta de “coragem” da PF em arquivar a investigação contra o filho do presidente.
“Na minha avaliação, faltou coragem para a PF arquivar esse inquérito, porque é o que a PF tinha que fazer em relação à Roberta e ao Fábio. Não arquivou porque era o filho do presidente Lula e porque era amiga do filho do presidente Lula”, declarou Marco Aurélio.
Atualmente, Fábio Luís reside na Espanha com a família, mas o advogado garantiu que, caso seja convocado para depor, ele retornará ao Brasil. “Se o Fábio for chamado, ele virá a todo e qualquer momento prestar esclarecimento”, afirmou.
Marco Aurélio acredita que a investigação contra Lulinha é influenciada por seu sobrenome. “Se ele fosse filho do Bolsonaro em um governo Bolsonaro, um inquérito não seria nem instaurado, mas sendo filho do presidente Lula, num governo do presidente Lula, ele vai ser investigado e deveria ser investigado, na minha opinião, se tivessem motivos. Nesse caso, não há motivos para que ele seja investigado”, concluiu.
Contexto das Investigações
As investigações referentes a Fábio Luís tiveram início com autorização do STF no final de julho. O ministro André Mendonça é o relator de duas investigações, enquanto o ministro Flávio Dino cuida de uma terceira. A atenção sobre Lulinha aumentou após a descoberta de sua proximidade com Roberta Luchsinger, alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), reveladas em dezembro do ano anterior.
Roberta teve seu celular apreendido pela PF e, conforme relatórios, teria atuado como operadora financeira e política em um esquema de fraudes ligado ao “Careca do INSS”.


