O ex-vereador Milton Leite, do União Brasil, é considerado foragido pela polícia após a emissão de um mandado de prisão durante a Operação “Vectura Corrupta”, realizada na manhã de quinta-feira, 17. A ação é fruto de uma investigação conjunta entre o Ministério Público e a Polícia Civil do Estado de São Paulo, que visa desmantelar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público e em candidaturas políticas.
Durante a operação, foram expedidos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Dentre os alvos, dez pessoas foram detidas, mas seis continuam foragidas, incluindo Milton Leite. Embora o ex-vereador tenha divulgado uma nota alegando que não estava foragido e que se encontrava em viagem, prometendo se entregar às autoridades em até 24 horas, o prazo expirou sem que isso ocorresse. Assim, as autoridades o consideram formalmente foragido.
Infiltração do PCC no transporte público e em campanhas eleitorais
A investigação revela que o PCC possui controle sobre 12 das 22 empresas de ônibus que operam na capital paulista, além de presença em cidades do ABC Paulista e da Baixada Santista. Entre as empresas investigadas, a Transwolff é destacada, com depoimentos de investigados sugerindo que a empresa seria, na prática, de propriedade de Milton Leite, o que ele nega. As investigações também indicam que a Transwolff está ligada à facção criminosa.
Além disso, a operação apura o suposto financiamento de candidaturas políticas pelo PCC, especialmente voltadas para as eleições municipais de 2024, com foco em Praia Grande, e também para pleitos deste ano. As autoridades acreditam que a facção visa infiltrar candidatos financiados em posições de poder.
Alvos adicionais da operação
Outro nome que se destaca nas investigações é o de Danilo Marco Morgado da Silva, candidato derrotado à Prefeitura da Praia Grande em 2024 e atualmente concorrendo a deputado estadual. Morgado já havia sido alvo da Operação “Decúrio” em 2024, quando um mandado de busca e apreensão foi cumprido em sua residência. As investigações revelam indícios de vínculos entre ele e o PCC, incluindo possíveis financiamentos da facção para sua candidatura.
Após a operação, Danilo Morgado se manifestou, informando que meses antes havia enfrentado um processo para sua prisão, movido pelo prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB), devido a vídeos onde denunciava licitações supostamente ligadas ao PCC na prefeitura. De acordo com sua nota, ele teria levantado as mesmas questões que foram abordadas pelo delegado Ruy Ferraz Fontes.

