Uma injeção aplicada a cada seis meses pode transformar a prevenção do HIV, vírus causador da aids.
O medicamento Sunlenca, cujo princípio ativo é o lenacapavir, apresentou resultados inéditos em estudos clínicos e recebeu autorização da Anvisa para uso preventivo em janeiro de 2026.
O medicamento age sobre o capsídeo, estrutura que protege o material genético do HIV, dificultando a multiplicação do vírus. Diferentemente de uma vacina, sua proteção depende da presença do princípio ativo no organismo e da continuidade das aplicações.
Em um estudo realizado com mais de 2 mil mulheres que receberam o medicamento, nenhuma contraiu HIV durante o acompanhamento. Outro ensaio, com diferentes grupos de participantes, registrou redução de 96% na incidência da infecção. Os resultados demonstram elevada eficácia, mas não garantem proteção absoluta.
A Organização Mundial da Saúde recomenda o lenacapavir como alternativa de prevenção, especialmente para pessoas que enfrentam dificuldades para tomar comprimidos diariamente. O medicamento não cura a infecção nem protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis.
No Brasil, o principal obstáculo é o acesso. O preço máximo informado chega a R$ 20,9 mil por aplicação, o equivalente a R$ 41,8 mil por ano, considerando duas doses. O produto ainda não está disponível comercialmente no país.
A incorporação ao SUS depende de avaliação da Conitec e decisão do Ministério da Saúde. Ainda não há prazo confirmado para a oferta na rede pública.
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